Arte

Cinelist homenageia Buñuel e o cinema surrealista como parte das comemorações pelos 125 anos do cinema

Vitor Paiva - 15/01/2021

O ano de 1895 se aproximava do fim quando, no porão do Grand Café, no Boulevard des Capucines, em Paris, uma pequena multidão se aboletou diante de uma tela para assistir em absoluto espanto a dez pequenas sequências de imagens em movimento – curtas metragens mudos sobre temas simples como “bebê comendo” ou “tomando banho de mar”.

O sucesso foi tão grande que em seguida as filas já dobravam quarteirões, e por toda a cidade e rapidamente pelo mundo o assunto era um só: a primeira exibição de filmes cinematográficos tornou Auguste e Louis Lumière em celebridades, responsáveis por uma invenção que se confirmaria como revolucionária. Em suma, há 125 anos os Irmãos Lumière inventavam o cinema – e o mundo nunca mais seria o mesmo.

Os Irmãos Lumiére

Era a primeira vez que imagens em movimento eram exibidas e assistidas, como uma verdadeira dobra na representatividade e nas próprias noções de realidade que tínhamos até então – a lenda conta que em uma dessas primeiras exibições, diante da clássica cena de um trem a vapor atravessando a tela em diagonal, a plateia se jogou ao chão ou mesmo saiu correndo.

Em pouco tempo as salas de exibição ganhariam o mundo, e uma verdadeira indústria artística e cultural nasceria e, junto com ela, uma nova forma de registro e também de arte – assim como novo estilos, movimentos e artistas.

 

Dentre esses estilos e movimentos que marcariam o cinema ao longo do século XX e até hoje como uma das mais dinâmicas formas de arte do mundo, poucos foram tão singulares e instigantes quanto o Surrealismo. Surgido como uma extensão do movimento de mesmo nome na pintura e na literatura, o cinema surrealista foi fundamental para o desenvolvimento de estéticas e técnicas cinematográficas que ajudaram a expandir, a partir dos anos 1920 quando do seu surgimento, aquela forma de arte então nascente.

Influenciados pela psicanálise, os surrealistas rejeitavam narrativas dramáticas lineares em favor de imagens chocantes e oníricas – e tiveram no espanhol Luis Buñuel seu nome mais importante e influente. Como parte da celebração pelos 125 anos do Cinema, o Telecine selecionou 4 filmes de Buñuel para formar sua cinelist em homenagem ao Surrealismo.

O jovem Luis Buñuel 

A cinelist do Telecine em tributo a Buñuel e o Surrealismo foca na segunda metade da filmografia do diretor – e abre com ‘A Morte no Jardim’, filme de 1956 que mostra um grupo de mineradores que foge de uma revolução em um barco para se isolar da sociedade. Em seguida a seleção oferece ‘Via Láctea’, filme realizado em 1969 que conta a história de dois peregrinos percorrendo o Caminho de Santiago e encontrando personagens – bíblicos e históricos – para enfrentarem os dogmas da vida e da religião.

Cena de “A Morte no Jardim”, de 1956

 De 1970, no filme ‘Tristana, Uma Paixão Mórbida’, Buñuel conta a história da órfã Tristana vivendo sob os cuidados de um senhor de idade em uma relação conturbada e obsessiva.

Cena de “O Fantasma da Liberdade”, de 1974

Por fim, o clássico ‘O Fantasma da Liberdade’, de 1974, conta com Jean-Claude Brialy e Monica Vitti no elenco, entre outros, para mostrar uma série de episódios independentes e não-lineares, sempre ligados a um dos personagens, na qual Buñuel retoma seu humor satírico para desafiar as normas sociais e nossa própria noção de realidade.

Clássico pôster do filme

Trata-se, portanto, da obra de um verdadeiro gênio que, desde seu filme de estreia, Um Cão Andaluz’, realizado em 1928 em parceria com seu amigo Salvador Dalí, deixou claro seu desejo de escandalizar a moral e os bons costumes de sua época. Buñuel utilizava a lógica dos sonhos, a livre associação e as imagens mais impactantes para tal desafio: ao abrir mão da representação da realidade em favor da livre manifestação do insciente, o diretor e outros cineastas surrealistas como René Clair, Man Ray, Germaine Dulac e o próprio Dalí viriam a influenciar de forma determinante a carreira de gigantes do cinema como Ingmar Bergman, Pedro Almodóvar e David Lynch.

Icônica cena de abertura de “Um Cão Andaluz”, de 1928

 A cinelist ‘Surrealismo’ é uma das várias seleções que o Telcine vem oferecendo para celebrar os 125 anos do cinema. Outros temas podem ser encontrados – e maratonados – dentro desse Festival, como Impressionismo Francês, A Era de Ouro de Hollywood, Terror, Neorrealismo Italiano, Blaxploitation, Anos 80, e mais – com o melhor do cinema, desde a sua invenção e até hoje, disponível no Telecine. Vale lembrar que o streaming do Telecine oferece 30 dias grátis para novos assinantes do app. 

      

 

 

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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