Ciência

Fotografia facilita trabalho dos futuros historiadores da pandemia de covid-19

por: Redação Hypeness

A lógica mais elementar lembra que a história que será estudada no futuro está sempre acontecendo hoje, mas foram poucos os momentos recentes em que mais pareciam histórico enquanto aconteciam como vem sendo a atual pandemia.

Como a fotografia facilita trabalho dos futuros historiadores da covid-19

No instante em que a OMS confirmou que o novo coronavírus se tratava de uma pandemia global, no dia 11 de março de 2020, que se tornou claro que o novo coronavírus seria um capítulo relevante na história da humanidade, com desdobramentos que seguem sucedendo e tantos outros que ainda nem sabemos ou que sequer aconteceram – mas que seguramente virão. Mas como será contada essa história no futuro? Quais informações, registros, dados, documentos e imagens estão sendo levantados e arquivados hoje para que essa história possa ser contada e detalhada amanhã?

Assinado por Laura Spinney, para começar tal investigação o artigo parte de gesto importante para se projetar o futuro – e olha para o passado, já que registrar pandemias não é algo inédito em nossa história. Pois um dos dilemas sobre a superação da pandemia da chamada Gripe Espanhola, que tomou o mundo entre 1918 e 1920, foi o fato de que somente os virologistas e epidemiologistas se interessaram pelo tema nos anos seguintes: quando economistas, sociólogos, psicólogos e historiadores perceberam a importância do fato que havia sido superado, muita coisa já estava perdida.

Acima, hospital nos EUA durante a gripe espanhola; abaixo, jornal carioca de outubro de 1918

Com a internet, tal arquivamento torna-se mais fácil e eficaz – como prova a coleção intitulada “Global Health Events web archive”. Reunida dentro da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, esse arquivo reúne milhares de sites e até mesmo posts a respeito da pandemia – desde quando a doença ainda sequer tinha nome. Outras instituições, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos EUA, e o Instituto Pasteur, em Paris, também vêm se dedicando à tarefa de documentar e arquivar a pandemia – e, no mundo todo, o trabalho da imprensa nos mais variados níveis se revela determinante para a construção dessa infinita colcha de retalhos que é a história de uma pandemia.

Pois torna-se claro que um acontecimento de tal magnitude, ainda que tenha evidentemente sua natureza sanitária sempre presente, é também um evento cultural, com impactos sobre toda atividade humana. Não por acaso, o artigo publicado na Nature revela que curadores de museu estão, enquanto a pandemia ainda ocorre com força no mundo todo, trabalhando para arquivarem artefatos históricos importantes, como respiradores descartados e protótipos de testes para detecção da doença. Os registros, cálculos e medidas são diversos para se capturar essa história – que ainda está sendo escrita, e que seguirá por muito tempo, como o artigo de Spinney (que pode ser lido na íntegra em inglês aqui) revela – e como confirma a historiadora Erica Chartes, da Universidade de Oxford, em depoimento: “Daqui 100 anos, uma versão completamente nova da história da Covid-19 será realmente escrita, e é pouco provável que nós pudéssemos reconhecê-la”.

Máscaras no cotidiano de Joanesburgo, na África do Sul

Cenas da pandemia de covid-19 em Aparecida do Norte, em SP

Transporte público lotado em meio à pandemia em SP

Cenas da pandemia de covid-19

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Fotos: foto 1: Matthew Horwood/Getty/foto 2: Wikipédia/foto 3: Getty Images/foto 4: Getty Images/foto 5: Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.


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