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Cuba tem número baixo de mortos por covid-19 e vive expectativa por vacinas desenvolvidas na ilha

Yuri Ferreira - 05/01/2021 | Atualizada em - 07/01/2021

O êxito de Cuba no combate ao coronavírus pode ser um exemplo para outros países da América Latina. A ilha socialista conseguiu controlar a pandemia dentro de seu território com números incríveis: entre os cerca de 13 mil casos, foram menos de 150 mortes no país até o dia 5 de janeiro de 2021.

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Com escolas reabertar e baixas taxas de infecção, Cuba se junta a países socialistas que conseguiram controlar a epidemia, como Vietnã, China e Venezuela.

O lockdown eficaz e a capacidade de manter a população mais velha em segurança foi bem-sucedida: são 13 mortes por milhão de habitantes. O índice é baixíssimo se comparado, por exemplo, ao Brasil, onde faleceram 922 pessoas a cada milhão por conta do novo coronavírus.

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A ilha ainda comanda a pesquisa de duas vacinas para conter o avanço da covid-19. Tanto a Soberana 1 como a Soberana 2 estão sendo desenvolvidas no próprio país e os testes indicaram que os imunizantes são seguros. Agora, resta saber se ela produz resposta imune eficaz para bloquear as infecções pelo novo coronavírus.

“Já se passaram 41 semanas desde o início da epidemia em Cuba. O país, como poucos no mundo, mantém o controle sobre ela, mas os riscos aumentam à medida que se reduz a percepção dele em segmentos da população”, afirmou o presidente do país Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

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Cuba enfrenta grave crise econômica com queda 8% no PIB e tomou medidas para reacelerar a economia. Uma delas foi a unificação entre o Peso Cubano e o CUC (Peso Conversível), o que vai expandir as exportações da ilha. A medida tem sido criticada por alas mais à esquerda do Partido Comunista Cubano, que acreditam que a nova política monetária pode dolarizar a economia cubana.

Outra importante transformação na política de Cuba está na posse do presidente americano, Joe Biden. Ele costurou o acordo de aproximação entre a gestão Obama e Castro, realizado em 2016. Donald Trump reverteu a costura com a política cubana e agora se espera que os estadunidenses possam voltar a ter relações amistosas com os socialistas – o que pode impulsionar a economia do país na recuperação contra a crise causada pela covid-19.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.