Ciência

Estudo utiliza modelo matemático para compreender como plantas interagem umas com as outras

Redação Hypeness - 05/01/2021

Baseado no modelo matemático da “Teoria dos Jogos” – o mesmo que levou John Nash a ganhar o Nobel e se tornar tema do filme Uma Mente Brilhante – um estudo publicado pela revista científica Science sugere que as plantas evitam competição direta por nutrientes do solo: quando próximas de outras raízes, as plantas produzem raízes próximas ao caule como meio para assegurar água e nutrientes sem procurar por recursos próxima a outras raízes.

Realizado por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos EUA, junto de cientistas do Instituto de Ciências Agrárias de Madri, na Espanha e da Universidade Rei Juan Carlos, também da Espanha, assim como pela FAPESP através de uma bolsa jovem pesquisador, o estudo ganhou a capa da revista em dezembro.

Estudo utiliza modelo matemático para compreender como plantas interagem umas com as outras

“Ao entender a lógica de espalhamento das raízes e da massa radicular, é possível no futuro oferecer novas regras para a produção agrícola que levem em conta não só a disputa das plantas na superfície, mas também a competição por recursos no subsolo”, explica Ricardo Martínez-García, professor no Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR) e um dos autores do estudo – que, além de se aprofundar no comportamento social das plantas, tem impacto direto, por exemplo, no manejo agrícola e no estudo das mudanças climáticas.

Um desses impactos, por exemplo, na manutenção dos espaços entre as plantas cultivadas – que podem parecer distantes na parte exposta, do caule para cima, mas podem estar uma competição não saudável entre suas raízes.

No que diz respeito ao impacto do estudo como ferramenta para modelos climáticos globais, o efeito é crucial. “As plantas capturam dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e armazenam em raízes. É o chamado sequestro de carbono”.

Portanto, ampliar o conhecimento sobre a distribuição espacial das raízes no subsolo e sobre sua massa é importante também para estipular a quantidade de CO2 – um dos gases do efeito estufa – que as plantas conseguem absorver da atmosfera”, afirma Martínez-García. A nova teoria foi confirmada a partir de modelos experimentais realizados com mudas de pimenta em estufas no Instituto de Ciências Agrárias de Madri, na Espanha.

A descoberta elucida um antigo debate a respeito do comportamento das raízes nessa disputa por nutrientes que já durava mais de 20 anos: alguns cientistas acreditavam que plantas em interação com outras plantas produziam mais massa de raízes por conta exatamente dessa competição, enquanto outros defendiam o contrário.

O novo estudo, porém, confirma as duas teorias, mesmo que sejam contraditórias: que as plantas crescem suas raízes perto do caule, aumentando assim sua massa, mas também deixam de se espalhar para evitarem a sobreposição com plantas vizinhas.

O estudo completo pode ser lido, em inglês, aqui.

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Fotos: Getty Images


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