Ciência

Fóssil de inseto assassino de 50 milhões de anos preserva genitália

Vitor Paiva - 28/01/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

Um inseto que há 50 milhões de anos viveu e voou sobre a região onde hoje é o estado do Colorado, nos EUA, foi encontrado fossilizado em condições de tal forma perfeitas que sua genitália também estava intacta no fóssil. A descoberta aconteceu em 2006, mas o estudo completo a respeito do inseto somente foi finalizado e publicado recentemente, na revista Papers in Palaeontology como um dos mais completos estudos sobre um inseto que viveu no período Eoceno, a segunda época da era Cenozoica, compreendida entre 56 milhões e 34 milhões de anos atrás.

Foto do inseto Aphelicophontes danjuddi fossilizado

Foto do inseto Aphelicophontes danjuddi fossilizado

Batizado como Aphelicophontes danjuddi, quando vivo o inseto fossilizado não era qualquer inseto: a espécie foi identificada como “predadora” e “assassina” – como costumam ser nomeados espécies da família, por exemplo, dos Reduviidae, como o barbeiro, responsável pela disseminação da Doença de Chagas. O fóssil foi encontrado em uma rocha conhecida como Formação do Rio Verde, onde diversos fósseis já foram encontrados – mas o aspecto mais incrível desse inseto em específico é seu perfeito estado de conservação e principalmente a preservação de sua genitália.

“Ser capaz de ver a genitália de um inseto é muito útil ao tentar determinar o lugar de um inseto fóssil em sua árvore genealógica”, afirmou Sam Heads, paleontólogo líder do estudo, em comunicado. O estudo apresenta o Aphelicophontes danjuddi – batizado em homenagem a Dan Judd, colecionador particular que doou uma das partes do fóssil depois de comprá-la – como uma nova espécie descoberta e um novo gênero da família dos insetos assassinos, como uma espécie de percevejo predador pré-histórico.

Marca do Aphelicophontes danjuddi deixada na pedra

Marca do Aphelicophontes danjuddi deixada na pedra

O fóssil foi descoberto após o rompimento de uma rocha, que partiu o inseto em dois, partindo o inseto entre a cabeça e o abdômen e rompendo também o pigóforo, como a genitália é chamada – sua estrutura, porém, foi preservada. “Normalmente, só obtemos esse [bom] nível de detalhe em espécie atualmente vivas”, celebrou Daniel Swanson, estudante de entomologia que co-liderou o estudo. “Existem cerca de 7 mil espécies de insetos assassinos descritos, mas apenas cerca de 50 fósseis desses insetos são conhecidos. Isso apenas fala da improbabilidade de até mesmo ter um fóssil, quanto mais um desta idade, que oferece tanta informação”, concluiu.

A Formação do Rio Verde, no Colorado

A Formação do Rio Verde, no Colorado © Wikimedia Commons

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© fotos: Papers in Palaentology/reprodução/crédito


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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