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Gêmeas ricas, secretária e prefeito. Brasil negacionista fura fila de vacinação contra a covid-19

por: Redação Hypeness

Um prefeito, uma secretária de saúde e um fotógrafo entram em um hospital… E furam fila para serem vacinados com a Coronavac. Parece piada, mas o assunto é sério. Isso aconteceu em cidades do interior de Sergipe e de Pernambuco. 

Em Itabi (SE), durante evento para marcar o início da campanha de imunização, o prefeito Júnior de Amynthas (DEM) foi o primeiro a tomar a vacina. A justificativa, segundo nota oficial da Secretaria de Saúde, incentivar a população a aderir à campanha de vacinação.

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Segundo o comunicado interno, o Ministério da Saúde faculta a estados e municípios a possibilidade de adequar priorização conforme a realidade local. “É a razão pela qual o prefeito Júnior de Amynthas foi imunizado, em um ato de demonstração de segurança, legitimidade e eficácia da vacina para incentivar a população Itabiense a se vacinar”, diz.

Formadas no ano passado, as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins publicaram sobre a imunização nas redes sociais

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A juíza Jaiza Pinto Fraxe chegou a fazer “um apelo” no Twitter: “Não furem a fila da vacina. Não deixem ninguém furar”.

Secretária e fotógrafo vacinados em Jupi 

Já na cidade de Jupi (PE), segurando a mão da secretária municipal de Saúde da cidade, Maria Nadir Ferro, o fotógrafo oficial da prefeitura, conhecido como Guilherme JG, comemorou a chegada das doses no momento em que foi vacinado. “Aqui, olha, Jupi recebendo as primeiras doses. Aproveitando o embalo, diz ele, com a máquina fotográfica pendurada no pescoço.

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Nenhuma dessas pessoas já vacinadas fazem parte do grupo prioritário, que engloba profissionais de saúde da linha de frente, indígenas aldeados e pessoas com deficiência, que vivem em instituições inclusivas.

O Ministério Público de Pernambuco (MP/PE) instaurou procedimento administrativo para investigar o caso do fotógrafo. Minutos antes de ser vacinado, ele tinha fotografado a secretária de Saúde também recebendo a dose. O prefeito de Jupi, Marcos Patriota (DEM), afastou a secretária de Saúde do cargo e determinou a apuração dos fatos

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Só podem tomar a vacina neste primeiro momento, de acordo com a pactuação feita entre estado e municípios, conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Imunização, trabalhadores da saúde que estão na linha de frente. O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, por exemplo, não foi vacinado por não fazer parte do grupo prioritário.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou ter acionado o MP/PE e a SDS (Secretaria de Defesa Social) para que o caso fosse investigado. A SES disse ainda esperar que os responsáveis sejam punidos se for confirmada a imunização fora do grupo prioritário, com desvio de finalidade. Jupi recebeu da SES 136 doses da Coronavac para a imunização completa de 68 profissionais de saúde que atuam na cidade.

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Gêmeas ricas de Manaus 

Nem Manaus, cidade que enfrenta um dos mais delicados momentos de sua história por conta do aumento do número de casos do novo coronavírus e a superlotação dos hospitais na capital do Amazonas, que resultou, incluvsive na falta de oxigênio nas instituições de saúde do município, conseguiu escapar. O gás é essencial para a sobrevivência das pessoas internadas com covid-19.

Não é um problema para quem está sendo vacinado por lá: duas médicas, filhas de um empresário do ramo da educação no Amazonas, tomaram vacina contra a covid-19 logo após serem nomeadas para trabalhar na área administrativa de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) de Manaus. 

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Formadas no ano passado, as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins publicaram sobre a imunização nas redes sociais e foram alvo de ataques. Gabrielle foi nomeada na segunda-feira (18) — dia em que as vacinas foram enviadas à cidade — como gerente de projeto, com salário de R$ 8 mil.

Elas afirmam, assim como o município, que atuam na linha de frente na UBS Nilton Lins, unidade batizada com o nome do pai das duas, o dono da Universidade e das Escolas Nilton Lins. As gêmeas passaram a ser acusadas de furar a fila da vacinação em razão do sobrenome. 

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O governo do estado divulgou nota afirmando que “apenas distribui as vacinas, mas a aplicação delas é feita pelas prefeituras”. Em resposta, a Prefeitura de Manaus declarou que as duas estão entre os dez médicos recém-nomeados para gerenciar projetos, mas que, diante da necessidade, foram remanejados para a linha de frente. Questionada, a administração não informou se isso quer dizer que as irmãs atendem pacientes.

E o Ministério da Saúde? 

O Ministério da Saúde assegurou ter liberado 282.320 doses de CoronaVac, a vacina contra covid, para o Amazonas. A estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é que o estado tenha 4,2 milhões de habitantes. Ou seja, a quantidade deve atender apenas 3,4% da população, considerando que cada pessoa deve tomar duas doses para ser imunizada.

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As Defensorias Públicas do Estado do Amazonas (DPE-AM) e da União (DPU), em conjunto com os Ministérios Públicos Federal (MPF), Estadual (MPE), de Contas (MPC) e do Trabalho (MPT), ingressaram na noite desta quinta-feira (21) na Justiça Federal com pedido para que a Prefeitura de Manaus seja obrigada a informar, diariamente, a lista de pessoas imunizadas com a vacina contra o coronavírus.

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Denúncias de privilégio em SP 

São Paulo – Enquanto isso, na cidade de São Paulo, onde as vacinas têm sido produzidas pelo Instituto Butantã, profissionais de saúde da linha de frente do combate à Covid-19 reclamam que a vacinação da categoria no estado está privilegiando os funcionários do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Pelo menos 196 estudantes de um curso de pós-graduação da instituição foram convocados para a vacinação, embora não trabalhem diariamente no local nem tenham contato direto com pacientes. Eles também não têm acesso ao prédio do Instituto Central do hospital.

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Nesta quinta-feira (21), o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, também questionou a vacinação no HC. O município calcula que o número de doses da CoronaVac já enviados é suficiente para apenas 40% dos profissionais de saúde da cidade. Por isso, a campanha na capital está priorizando aqueles que lidam diretamente com casos suspeitos ou confirmados de Covid-19.

Em nota, o HC disse que vacinou 60% dos funcionários e que está devolvendo 4,6 mil doses da CoronaVac recebidas. A instituição alegou ainda que vai apurar casos que eventualmente estejam fora dos procedimentos de vacinação.

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O HC deveria receber 30 mil doses da CoronaVac, enviadas diretamente pela Secretaria Estadual da Saúde, em uma megaoperação que deve ser encerrada nesta sexta-feira (22). No entanto, funcionários afirmam que foram entregues apenas 25 mil doses e que, por isso, os terceirizados não tiveram direito à vacina. A aplicação, segundo eles, foi apenas em profissionais concursados ou naqueles contratados diretamente pelo HC.

Outros hospitais da capital receberam as doses da prefeitura de São Paulo, que tem 430 mil disponíveis, o suficiente para imunizar cerca de 200 mil profissionais de saúde e 14 mil idosos que estão em instituição de longa permanência.

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Em nota, a secretaria estadual da Saúde informou que “a recomendação é que sejam vacinados os profissionais da linha de frente de Covid” e “que a falta de agilidade na disponibilização de vacinas contra COVID-19 por parte do Ministério da Saúde obriga os Estados a programarem remessas fracionadas até que venham novos lotes”

Leia na íntegra: 

“A campanha de vacinação contra COVID-19 tem como referência o número de pessoas imunizadas contra a gripe em 2020 indicado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Assim, o Ministério da Saúde utiliza este critério para envio Estados, e o mesmo ocorre em SP para redistribuição às Prefeituras.

O Estado de São Paulo aplicou 1,5 milhão de doses da vacina de Influenza no ano passado, sendo 561,5 mil apenas na capital. No entanto, para a campanha de COVID-19, até o momento o MS disponibilizou a SP apenas 1,3 milhão de doses – a serem aplicadas em duas etapas, podendo assim imunizar pouco mais de 650 mil pessoas. Consequentemente, o mesmo critério precisou ser adotado de forma equânime para todas as 645 cidades de SP.

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No momento, a recomendação é que sejam vacinados os profissionais da linha de frente de Covid. Novas remessas serão destinadas à Prefeitura da Capital à medida que o Ministério da Saúde viabilizar mais doses, o que permitirá também a expansão de públicos-alvo e a imunização da totalidade dos profissionais de saúde

É importante ressaltar que a falta de agilidade na disponibilização de vacinas contra COVID-19 por parte do Ministério da Saúde obriga os Estados a programarem remessas fracionadas até que venham novos lotes. Até o momento, o governo federal sequer indica perspectiva de disponibilização de mais vacinas, como a da Oxford/AstraZeneca, por exemplo.

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Com relação a vacinação no Hospital das Clínicas da FMUSP, é importante destacar que a unidade sequer aderiu ao sistema home office durante a pandemia.

O HC é o maior complexo hospitalar da América Latina e referência em atendimento Covid durante a pandemia em São Paulo, contando com oito institutos que atendem casos de alta complexidade em diversas especialidades, incluindo urgência e emergência no seu PS. Na campanha de vacinação que acontece esta semana no Hospital, estão inclusos médicos, enfermeiros e fisioterapeutas de todos esses institutos que têm contato com pacientes COVID. O esquema vacinal do complexo inclui a imunização dos profissionais de outras grandes unidades como Instituto do Coração (Incor), Instituto do Câncer e Instituto da Criança, por exemplo.

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Com planejamento há mais de três meses da sua logística e necessidades para executar a campanha, o Governo do Estado de São Paulo agiu rapidamente, e em menos de 72 horas distribuiu mais de 477 mil doses para 123 cidades e 14 Grupos de Vigilância Epidemiológica regionais. Este quantitativo inclui as 203 mil doses entregues nesta terça-feira (19) ao município de São Paulo, para que este possa iniciar as estratégias de vacinação”.

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Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Reprodução/foto 3: Getty Images/foto 4: Getty Images


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