Sustentabilidade

Greve global pelo clima está marcada para o dia 19 de março

Vitor Paiva - 26/01/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

As mudanças climáticas costumam ser tratadas como uma pauta menos urgente e com maior prazo para ser resolvida, mas a verdade é que, pela gravidade do quadro e pela totalidade de sua abrangência, ela é hoje uma das pautas mais imediatas e gritantes – e é esse o tom que as manifestações do dia 19 de março pretendem impor às lideranças de todo o mundo. Intitulada Mobilização Global pelo Clima e reunindo movimentos e ativistas de todo o planeta, a rodada de ações tem como objetivo a cobrança de ações imediatas e eficazes por parte dos governos e lideranças para se lidar com a crise do clima – significada pelo slogan #ChegaDePromessasVazias.

Manifestação do Fridays for Future na Polônia contra as mudanças climáticas

Manifestação do Fridays for Future na Polônia contra as mudanças climáticas © Getty Images

A movimentação irá propor uma greve global como forma de pressionar os estados a assumirem como pauta imediata a redução das emissões e o compromisso com o meio-ambiente. “Se não agirmos agora, não teremos a oportunidade de cumprir as metas de 2030 e 2050 das quais os líderes mundiais continuam falando”, afirmou Mitzi Jonelle Tan, ativista climática das Filipinas. “O que precisamos agora não são promessas vazias, mas metas anuais obrigatórias e cortes imediatos nas emissões em todos os setores de nossa economia”. O movimento segue os moldes, em escala global, do que a jovem Greta Thunberg fez há 4 anos, ao começar uma greve escolar contra as mudanças climáticas – por isso o dia 15 de março foi decretado informalmente como dia da greve pelo clima.

divulgação da greve global pelo clima no dia 19 de janeiro de 2021

Por conta da atual pandemia, a mobilização será virtual, através de uma série de eventos online que serão transmitidos de todo o mundo. O pano de fundo da Mobilização Global pelo Clima em março de 2021 não poderia ser mais agudo: para além da própria pandemia, o ano de 2020 foi repleto de sinais da gravidade do quadro atual, como os incêndios descontrolados na Austrália, no Brasil, na Argentina e nos EUA, a seca na África e em diversos outros cantos do planeta, assim como as tempestades inclementes que castigaram a América Central, o Sudeste Asiático e mais.

Multidão na Polônia contra a mudança climática em setembro de 2019

Multidão na Polônia contra a mudança climática em setembro de 2019 © Getty Images

Em 2019 o movimento levou mais de 7 milhões de pessoas às ruas nas principais cidades, e no ano passado as ações virtuais englobaram 150 países em milhares de frentes. Agora, no entanto, com a proposição da greve, a ideia é que as ações deixem somente o campo simbólico e dos debates, e passem a efetivamente pressionar as lideranças capazes de fazer a diferença com a mesma força que as mudanças climáticas já nos afetam. “A ciência é cristalina: as mudanças climáticas estão exacerbando os desastres naturais, ao tornar esses eventos mais intensos e mais frequentes, ou seja, mais destrutivos”, afirma o ativista brasileiro João Duccini.

Incêndio no Pantanal

Incêndio no Pantanal em 2020 © Getty Images

O movimento é encabeçado pelo grupo Fridays For Future – e as maiores informações sobre a Mobilização Global pelo Clima de 2021 podem ser encontradas em seu site.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutor em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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