Debate

Hipersexualização de ‘viking’ que invadiu Capitólio ao lado de outros supremacistas gera incômodo em pessoas negras

Karol Gomes - 08/01/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

A tentativa de golpe de estado de apoiadores de Donald Trump, nesta terça-feira (6), criou momentos e personagens que vão ficar para a história do Estados Unidos – principalmente em função de seu principal objetivo: impedir a posse do presidente eleito Joe Biden. Entre os símbolos, está um homem branco que recebeu o apelido de ‘viking’ por aqueles que acompanharam a cobertura da invasão ao Capitólio, em Washington, onde fica o Congresso norte-americano.

Conhecido como ‘Q Shaman’, Jake Angeli, de 32 anos, vive no Arizona e é figurinha carimbada entre os membros da extrema-direita americana. Ao invadir o Capitólio, o homem apareceu com o torso nu, exibindo tatuagens, a cabeça envolta por chifres e pelos de bisão, o rosto pintado com as cores da bandeira dos EUA e as pernas cobertas por um tecido leve.

– Capitólio é invadido em tentativa de golpe de apoiadores de Trump

‘Q Shaman’, supremacista branco da extrema-direita dos EUA

O debate se deu, pois, nas redes sociais, algumas feministas brancas resolveram debater a beleza por trás de um supremacista branco, simpatizante do fascismo e que participou de uma tentativa de golpe ao lado de nazistas e outros extremistas.

Os comentários sobre desejar um homem como Angeli incomodaram, sobretudo pessoas negras e ativistas que apontaram diferenças gritantes na abordagem policial. Se homens negeros são mortos nos Estados Unidos por existirem e protestarem pelo direito à vida, pessoas brancas que defendem inclusive o supremacismo, puderam invadir o Capitólio sem grandes dificuldades. Imagine se fosse um protesto do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Homem sente efeito do gás lacrimogênio em protesto por vidas negras

Supremacismo branco 

Angeli não era o único vestido como estava, no o que pareceu uma estratégia para chamar atenção de fotógrafos e, consequentemente, guardar a ideia de um movimento com objetivos contraditórios, radicais e violentos.

– Derrotado, Trump age como se nada tivesse acontecido. Presidente pode se recusar a deixar Casa Branca?

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Em entrevista à BBC Brasil, a antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade de Bath, no Reino Unido, classificou a vestimenta de Angeli e colegas como parte do movimento ‘tribalismo masculino’, ou ‘masculinismo’. Rosana, que pesquisa a masculinidade, explica que homens como estes fazem ode ao confronto físico e à guerra, ao ódio contra mulheres, LGBTs e suas conquistas por direitos iguais na sociedade.

Desde 2016, ano de eleição de Donald Trump, tais ideias ganham força numa complexa teia de novos grupos impulsionados por negacionistas da ciência e teorias de conspiração, como a chamada alt-right, ou ‘direita alternativa’ e, mais recentemente, o QAnon. Todas células de disseminação do preconceito e todo tipo de opressão.

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

Supremacistas brancos invadiram Capitólio sem grandes dificuldades

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Fotos: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.