Debate

Influenciadora sugeriu que negros fedem e usou desculpa manjada para justificar racismo

Karol Gomes - 22/01/2021

A influenciadora Isadora Farias cometeu um ato de racismo ao associar, em seu perfil do Instagram, o mau cheiro corporal à pele negra. Ela disse que, para controlar o seu ‘cecê – termo utilizado para o odor causado pela combinação de suor e bactérias normalmente presentes na pele -, usa produtos para peles morena e negra.

Depois das acusações, ela preencheu todas as caixas de pedido de desculpas, também por meio dos stories:

✓Pediu perdão para quem se sentiu ofendido.
✓Disse que quem a conhece sabe que ela não é racista.

✓Disse que tem amigos e colegas de trabalho negros.

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“Eu não sou essa pessoa racista, eu amo os negros, eu amo todas as pessoas e trato as pessoas com igualdade. Quem me conhece sabe, quem me segue e me conhece pessoalmente sabe da minha conduta, do meu caráter, das minhas crenças e eu jamais falaria qualquer coisa de maneira racista ou para ofender qualquer que seja a pessoa”, disse ela, que soma cerca de 35 mil seguidores no Instagram.

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Veja o vídeo com o ato de racismo: 

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O que Isadora Reis talvez não sabia é que nada disso a isenta de ser racista. “A fala dessa influencer diz muito sobre o pensamento da branquitude racista, NEGROS FEDEM, essa não é a primeira vez que ouço isso e infelizmente não será a última”, lamentou operfil Ativismo Negro, no Instagram. 

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Já o perfil Africanize explicou a origem racista por trás do termo ‘cecê. “Quantas vezes já ouvimos de maneira pejorativa alguém dizendo, que pretos tem um “cheiro forte”, que o suor é específico, muito particular, trazendo até uma repulsa, e aí popularmente o termo acabou sendo atribuído ao significado ‘Cheiro de Crioulo ou Caatinga de Crioula’. Sempre fomos orientados a se preocupar com o cheiro, para não ser alvo de piadas pejorativas”

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A dermatologista Katleen da Cruz Conceição também se manifestou e esclareceu a questão do ponto de vista clínico. “As glândulas apócrinas são maiores e em número maior na pele negra, além de produzirem maior quantidade de secreção (Hurley, Shelley, 1960). Isso não explica a diferença no odor, pois este depende da colonização bacteriana”, informou.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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