Inovação

Japão inicia projeto de satélite feito em madeira contra lixo espacial

por: Vitor Paiva

A poluição, o desperdício, a produção desenfreada e tantos outros malefícios da ação humana ameaçam diretamente a saúde e o futuro do planeta – mas, quem diria, não somente: mesmo fora da Terra, através das toneladas e mais toneladas de lixo espacial, tal impacto pode ser percebido, e deve ser combatido. É esse o propósito do projeto desenvolvido pela Universidade de Kyoto, no Japão, em parceria a empresa florestal Sumitomo Forestry, para o desenvolvimento dos primeiros satélites feitos de madeira do mundo, a fim de eliminar tais detritos.

A ideia é que os primeiros satélites de madeira sejam enviados ao espaço em 2023, e para isso a Sumitomo Forestry já iniciou as pesquisas sobre o cultivo de árvores e os caminhos para melhor utilizar a matéria prima em contexto espacial. A grande vantagem do projeto seria a facilidade com que tais objetos poderiam ser descartados sem maiores impactos: a madeira queimaria facilmente, por exemplo, ao retornar para a Terra, sem maiores vestígios para a atmosfera ou mesmo o solo do planeta.

O lixo espacial é um dilema registrado desde o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, quando os primeiros satélites foram lançados ao espaço. Estima-se que existam hoje cerca de 330 milhões de objetos com tamanho superior a 1 mm em órbita e, ainda que muitos destes detritos sejam da dimensão de minúsculas partículas, centenas de milhares possuem tamanhos de 10 centímetros ou mais – muitos deles sendo satélites desativados ou outros instrumentos sem utilidade.

Uma reportagem canadense, no entanto, afirma que a novidade não resolve o problema do lixo espacial por dois aspectos: pelo fato da maioria desses detritos não ser formada por satélites inativos, mas sim por equipamentos de propulsão e outros intensificadores utilizados nas viagens ao espaço, e principalmente pelo fato de que esse lixo justamente não retorna à Terra – por isso, inclusive, ele é o problema que é.  “Todos os nosso planos para lidar com a abundância de lixo espacial devem envolver uma maneira de induzir esse material a deixar nossa órbita: madeira não fará nenhuma diferença aqui”, diz a matéria. Não existe ainda tecnologia de coleta desse lixo espacial.

A poluição na órbita da Terra representa ameaça em níveis diversos: tais detritos podem não somente retornar ao planeta e cair em nosso solo, como provocar acidentes entre satélites ou mesmo aeronaves trabalhando ao redor da Terra. Em 2009, um satélite militar russo inativo se chocou com outro satélite de comunicação dos EUA – e, em um planeta cada vez mais dependente de tais tecnologias, com mais de 1000 desses instrumentos ativos no espaço, o impacto, dentre tantos, pode ser bem maior do que pensamos quando olhamos para o céu em uma noite estrelada.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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