Ciência

Maconha possui toxinas também encontradas na fumaça do cigarro, aponta estudo

por: Vitor Paiva

A onda de legalização do uso medicinal e recreativo da maconha por todo o mundo vem iluminando as tantas benesses que essa planta e seus derivados podem trazer para nossa saúde. Tal processo, porém, aumenta também o consumo da maconha pelo método tradicional, através da inalação da fumaça de sua combustão, queimada em cigarro, cachimbos ou bongs. Com isso, uma série de toxinas advindas da fumaça da combustão podem afetar a saúde do usuário – é isso que comprova um novo estudo realizado por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, nos EUA.

O estudo compara o uso da maconha por inalação de fumaça com o consumo de cigarro, por motivos que não se relacionam com os benefícios que o uso medicinal da maconha traz – mas atesta os males que toda combustão de material orgânico pode provocar se inalada. Segundo o estudo, pessoas que somente fumavam maconha e não fumavam cigarro presentavam níveis elevados de naftaleno, acrilamida e acrilonitrila no sangue e urina se comparados aos não-fumantes.

Jovem utiliza um bong para fumar maconha nos EUA

“O aumento renovou as preocupações sobre os efeitos potenciais à saúde da fumaça da maconha, que é conhecida por conter alguns dos mesmos produtos de combustão tóxicos encontrados na fumaça do tabaco”, afirmou Dana Gabuzda, líder do estudo e investigadora principal em imunologia do câncer e virologia no instituto estadunidense. Segundo consta, o naftaleno provoca anemia, problemas hepáticos e até mesmo neurológicos, enquanto a acrilamida e a acrilonitrila são toxinas associadas ao câncer e diversas outras doenças.

O impacto do cigarro de tabaco é consideravelmente maior, segundo o estudo

Os níveis elevados das toxinas entre os usuários de maconha eram, no entanto, inferiores àqueles identificados em fumantes de cigarro, ou em quem combina maconha com tabaco. Os tabagistas, porém, também apresentaram índices aumentados no sangue e na urina de acroleína, química conhecido como provável causador de doenças cardiovasculares – nos usuários de maconha a acroleína não foi identificada em excesso.

Sede do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, nos EUA © Divulgação

O estudo também reitera que inalar fumaça pode provocar inflamações das vias aéreas. A pesquisa se baseou nos dados de três estudos realizados com 245 participantes, soropositivos e soronegativos. A opção por estudar a partir de pessoas com infecção pelo HIV se deu pela alta incidência do uso de tabaco e de maconha no grupo.  O estudo foi publicado recentemente na revista científica EClinicalMedicine.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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