Ciência

Mônica, 1ª vacinada do país, é voluntária contra covid-19 mesmo sendo do grupo de risco: ‘Não tenham medo’

Karol Gomes - 18/01/2021

Mulher, negra, periférica e trabalhadora da saúde. Aos 54 anos, Mônica Calazans ficou conhecida por ser a primeira vacinada do Brasil contra a covid-19. O imunizante utilizado foi a CoronaVac – vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A vacina teve o uso emergencial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na tarde do domingo (17).

Não é só por estar na linha de frente do combate à doença, atuando como enfermeira na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, que Mônica foi selecionada para a honraria. Ela também é diabética, obesa e hipertensa, o que a coloca no grupo de risco caso infectada pelo coronavírus. 

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Mônica na linha de frente 

Em maio, quando a pandemia atingiu um de seus maiores picos, Mônica se inscreveu para trabalhar no Emílio Ribas, mesmo ciente de que a unidade estaria no epicentro do combate à pandemia. Segundo ela, a vocação falou mais alto, conforme contou a coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. “Não tenho medo”, disse a enfermeira. 

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Mônica Calazans trabalhou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos. O diploma universitário veio mais tarde, aos 47. Viúva e mãe, nem ela nem o filho de 30 anos se infectaram com a covid-19. A família, entretanto, não passou isenta na epidemia. Seu irmão caçula, auxiliar de enfermagem de 44 anos, ficou internado por 20 dias com a doença.

Mônica chamou atenção até mesmo do seu clube do coração após ser vacinada. O Corinthians comemorou o momento, em publicação no Twitter, e afirmou que a enfermeira ser corintiana é algo que ‘comove‘.

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“Parabéns, Mônica Calazans. Saber que a primeira brasileira vacinada contra a Covid-19 é uma enfermeira corinthiana de Itaquera é algo que comove a todos nós. A Fiel inteira te abraça no simbolismo e na esperança trazida por este momento. #VacinaJá”, disse o clube paulista em publicação.

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Vacinômetro

Seguindo a contagem de vacinados no Brasil, logo depois de Mônica, foi a vez do enfermeiro Wilson Paes de Pádua, de 57 anos, funcionário do hospital Vila Penteado, na Zona Norte de São Paulo. 

“Estou muito feliz, acho que nós temos que lutar pela vacina, lutar pela ciência, para melhorar a saúde e sair dessa pandemia. Me sinto muito orgulhoso e feliz desse momento”, ele disse à imprensa. O enfermeiro revelou ter perdido colegas e que foi infectado pela covid-19 em junho, enquanto atuava na linha de frente da pandemia. 

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No evento, também conhecemos a primeira indígena do vacinada contra a covid-19 no país. Vanusa Kaimbé, de 50 anos, é técnica de enfermagem e assistente social, além de presidente do conselho dos indígenas kaimbe de São Paulo. Ela vive na aldeia Kaimbé filhos da terra, em Guarulhos.

“Eu vim aqui hoje representar a população indígena e falar a importância da vacina. A vacina salva vidas. Fui a primeira indígena a ser vacinada e recomendo para todos os meus parentes”, afirmou. 

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Já o mais velho a ser vacinado neste domingo foi o doutor Almir Ferreira de Andrade, de 79 anos. Ele é diretor da emergência da neurocirurgia do Hospital das Clínicas. “Esse dia hoje é uma dádiva. Vai permitir que a gente trabalhe com mais tranquilidade atendendo pacientes de Covid-19. Como Joe Biden, presidente dos EUA, estou me sentindo como um menino, que está começando agora”, disse Almir.

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Fotos: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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