Debate

Record associa Beyoncé com ‘magia negra’ e é criticada por racismo; veja vídeo

Karol Gomes - 07/01/2021

A TV Record, em pleno 2021, demonstrou atraso e preconceito em sua linha editorial com uma matéria racista e de intolerância religiosa e cultural sobre a cantora Beyoncé.

Exibida no programa religioso ‘Fala Que Eu te Escuto’, a afirmação associou seu último lançamento,  ‘Black is King’ – álbum visual disponível no Disney+ -, com bruxaria e ‘magia negra’.

Bispo Adilson Silva, apresentador do ‘Fala Que Eu Te Escuto’

No mesmo vídeo, uma acusação feita pela ex-baterista da cantora, Kimberly Thompson, é utilizada como exemplo para falar sobre o tema, apresentado o conteúdo como uma prática sobrenatural que faz mal às pessoas. Antes de chamar a reportagem, o bispo Adilson Silva disse o seguinte.

“Tem muita gente se envolvendo com magia negra, inclusive pessoas famosas”, bradou e apresentador da Igreja Universal.

– A igreja de Beyoncé: como são os cultos cristãos baseados na obra da cantora

O caso revivido pela matéria da Record aconteceu em 2019, quando a baterista foi à justiça norte-americana afirmando que Beyoncé praticou bruxaria e magia negra contra ela. Em meio ao conteúdo da reportagem, cenas de ‘Black is King’ aparecem no material editado pela emissora para ‘ilustrar’ o que seria bruxaria e magia negra. O filme exibe, em suma, cenas de costumes e danças africanas.

Beyoncé em cena do elogiado ‘Black is King’

– Beyoncé é acusada por Lilia Schwarcz de ‘glamorizar negritude’ em texto cheio de equívocos

– Beyoncé cita vidas negras, George Floyd e fala do machismo na indústria da música

Por mais que a acusação tenha acontecido de fato, o que os fãs e admiradores que se manifestaram nas redes sociais apontam como problemático é escolha de Beyoncé, uma mulher negra, para ilustrar a reportagem com cenas que fazem alusão ao culto de religiões de matriz africana – alvos constantes de preconceito e até perseguição.

A resposta nas redes sociais foi quase imediatista e internautas subiram a hashtag #RecordRacista para protestar o conteúdo.

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Fotos: Reprodução/TV Record/foto 2: Divulgação


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.