Debate

Relatório diz que empresas como JBS abateram gado de fazendas acusadas de trabalho escravo

Vitor Paiva - 06/01/2021 | Atualizada em - 05/03/2021

O impacto da indústria pecuária sobre o meio ambiente e sobre nossa saúde já são hoje sabidos – trata-se de uma das mais poluentes e insustentáveis produções do planeta.

Um novo relatório, no entanto, revela um aspecto mais imediato e ainda mais sombrio que se esconde por trás da imensidão da produção de gado e carne: diversas fazendas que trabalham com gigantes da indústria como JBS e Minerva, além de diversos pequenos produtores, são acusadas de explorar trabalhadores nos últimos anos, em situação análoga ao trabalho escravo. Tais casos são parte dos centenas de milhares de fornecedores que trabalham com tais empresas de forma direta ou indireta.

O relatório foi realizado pela Repórter Brasil, grupo de pesquisa independente focado em questões ambientais e trabalhistas, e identificou mais de uma dúzia de casos ligados às gigantes da carne no Brasil nos quais trabalhadores foram encontrados morando em barracos insalubres, feitos com galhos de árvores, em alguns casos sem acesso a banheiros devidos, cozinhas ou água potável.

No caso da JBS, algumas dessas compras foram realizadas antes das fazendas serem incluídas em uma “Lista Suja”, banco de dados do governo que verifica diariamente os compromissos trabalhistas das empresas.

Em comunicado, a JBS afirmou que cumpre todos os compromissos de combate ao trabalho escravo e contra o desmatamento irregular, e que excluiu fazendas que apareciam na Lista Suja. Os três maiores produtores de carne do Brasil – JBS, Marfrig Global e Minerva – afirmaram que monitoram os fornecedores de gado para abate, mas que não é possível rastrear a relação de seus fornecedores na compra prévia dos animais.

Segundo Marcel Gomes, secretário-executivo da Repórter Brasil, as empresas não possuem mecanismo de rastreamentos dos fornecedores, e grande parte das violações e dos casos descobertos acontece em animais sendo transferidos de uma propriedade para outra – como meio de fugir de fiscalizações. Trata-se de quadro preocupante, visto que cada vez mais investidores e consumidores exigem produtos mais sustentáveis e conscientes – livres de qualquer resquício de trabalho escravo.

O levantamento, além disso, joga luz para uma parte até então pouco investigada de tal cadeia: historicamente os casos de trabalho escravo na pecuária se davam na parte de desmatamentos, e não tanto na criação de gado propriamente. O relatório da Repórter Brasil pode ser lido aqui.

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© fotos: Getty Images/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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