Ciência

Única mulher no anúncio da CoronaVac lembra que mulheres são maioria nas pesquisas

por: Vitor Paiva

Apesar do anúncio dos excelentes resultados obtidos pela CoronaVac ter sido feito com somente uma mulher na equipe, são as cientistas e pesquisadoras que movem a pesquisa no Brasil. Tal afirmação foi feita justamente pela mulher presente na divulgação da vacina do Instituto Butantã: Dra. Rosana Richtmann é medica e diretor clínica do instituto de Infectologia Emílio Ribas há mais de 35 anos – e, em entrevista para reportagem de Júlia Flores, do Universa, no UOL, Richtmann reiterou a alegria em participar do anúncio, mas apontou a incongruência: “A maior parte das pessoas envolvidas em ‘carregar o piano’ da pesquisa são mulheres. Mas parece que, na hora de mostrar a vacina, essa proporção foi embora”, afirmou.

Dra. Rosana Richtmann © arquivo pessoal

Ao longo dos anos, a médica já enfrentou a pandemia de H1N1, zikavírus, e tem no enfrentamento ao HIV o maior desafio de sua carreira – mas participar do desenvolvimento da vacina em parceria com o Instituto Butantã foi para ela um processo histórico. Eu estava muito feliz, o momento foi especial. Mas eu tento separar política de ciência. Então eu estaria muito contente na comunicação de qualquer vacina desse país, porque eu acredito na ciência, acredito na imunização”, disse.

Além do fato de ser a única mulher presente (“Óbvio que o governo do estado, e mesmo que fosse a nível federal, teria que colocar uma mulher no evento, até para evitar críticas”, ela disse), Richtmann também ressaltou o elogio que recebeu do governador João Dória, por ser “mulher e mãe”. Infelizmente nós, mulheres, temos uma vida mais complicada, porque tocamos a vida de mãe, de dona de casa, de tudo. É muito mais difícil para nós conseguirmos focar nos nossos estudos e também cumprimos essas outras demandas”, disse, “Na coletiva, tinham vários homens lá e nenhum foi elogiado por ser pai”, concluiu.

Rosana durante o anúncio da CoronaVac © reprodução

Para Richtmann, o papel do Brasil durante a pandemia vem sendo “muito feio”, pela negação das autoridades, incluindo o presidente e ministros, dos protocolos de segurança, do isolamento, da gravidade da doença e, agora, da vacina. “a gente podia ter evitado muito mais mortes do que aconteceram se a gente tivesse informação e uma comunicação mais responsável”, afirmou. Para 2021, a expectativa é que o país tenha doses suficientes da vacina a fim de garantir a realização de um plano nacional de vacinação – visto que expertise em tal realização o país já possui. “Mas antes precisamos comunicar a nossa população sobre a importância dessa imunização, porque a nossa única saída agora é a vacina”, concluiu.

© Instagram

A íntegra da entrevista da Dra. Rosana Richtmann para o Universa, do UOL, pode ser lida aqui.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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