Ciência

Vacina contra HIV chega à fase 3, e agora procura voluntários no mundo – inclusive no Brasil

Vitor Paiva - 29/01/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

Se a velocidade sem precedentes com que as vacinas para frear a atual pandemia foram desenvolvidas são até aqui a melhor notícia dos últimos tempos, nunca antes estivemos tão perto de uma notícia possivelmente ainda melhor e mais impactante a vir de um novo imunizante: o mais avançado estudo para o desenvolvimento de uma vacina para prevenir o HIV se encaminha para a fase 3. Essa é a primeira vez que um desenvolvimento de tal vacina alcança esse estágio – e agora a equipe internacional está recrutando voluntários em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Uma das vacinas da Mosaico contra o HIV sendo carregadas por cientistas na África do Sul para uso em teste

Uma das vacinas da Mosaico contra o HIV sendo carregadas por cientistas na África do Sul para uso em teste © Wikimedia Commons

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Intitulado Mosaico, o estudo ocorre simultaneamente também em países como Itália, Argentina, México, Polônia, Espanha, Peru e EUA, reunindo aproximadamente 3,8 mil voluntários. O vetor do estudo é o Adenovírus 26, um vírus inofensivo aos seres humanos mas que induz o corpo a produzir os anticorpos necessários para deter a disseminação do vírus – ao todo a nova vacina será aplicada em quatro doses e, segundo especialistas, a novidade é a mais promissora já vista ao longo dos mais de 40 anos de pandemia do HIV.

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O que é a fase 3 da vacina

A fase 3 é a última etapa antes da aprovação de uma vacina, quando o experimento passa a ser realizado em humanos. Por conta das variações genéticas complexas do HIV, no entanto, esse processo será mais longo do que os das vacinas contra o coronavírus, com três primeiras doses aplicadas a cada três meses, e uma última dose aplicada seis meses depois – ao todo, no entanto, os voluntários serão monitorados por três anos. Desde o princípio da pandemia do HIV, no início dos anos 1980, cerca de 33 milhões de pessoas morreram e anualmente 40 mil novos casos acontecem somente no Brasil – em 2019 foram cerca de 1,7 milhões de novos casos no mundo.

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A vacina não apresenta perigo à saúde pois não utiliza o vírus vivo, mas sim uma proteína produzida em laboratório que simula uma parte externa do vírus. Fazem parte da frente internacional do Mosaico a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV (HVTN), Janssen Vaccines & Prevention B.V., parte das Empresas Farmacêuticas Janssen da Johnson & Johnson, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA  e o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos EUA.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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