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Vendedor de açaí que desmaiou após apanhar de PMs vai responder por dano ao patrimônio

por: Redação Hypeness

Um ambulante foi brutalmente agredido por policiais militares na última sexta-feira (15) durante uma ação de fiscalização da Prefeitura de São Paulo no centro da capital paulista. Geová Oliveira de Lima, 48, foi enforcado pela PM até perder a consciência. Ele será processado pela Prefeitura de São Paulo por dano ao patrimônio.

violência policial contra ambulante

Cenas de violência policial foram registradas no centro de São Paulo na última sexta-feira (15)

Segundo constam as denúncias, o ambulante não tinha alvará para operar um comércio na região. O caso aconteceu na Rua Direita, importante via comercial no centro da capital paulista. Após entrar em conflito com fiscais da Prefeitura de São Paulo, policiais o enforcaram.

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“Os PMs puseram joelho e cassetete no meu pescoço, não consegui respirar, sangrei pela boca e desmaiei”, explicou Geová ao G1. Há um vídeo da abordagem dos militares em que se pode ouvir a esposa do ambulante pedindo que salvem seu marido. “Ele não está respirando. Gente, eles estão matando meu marido. Ele não está conseguindo respirar. Ele está sangrando”, diz.

Confira as imagens da violência policial contra Geová:

Ambulante responderá por dano ao patrimônio

Segundo a versão dos policiais e dos fiscais da prefeitura, Geová não tinha autorização para atuar como ambulante. Então, os fiscais da prefeitura começaram a tomar os bens que ele comercializava. Ele tentou se defender dos fiscais e a polícia agiu para impedir a reação do cidadão.

Depois de sofrer as agressões dos policias, ele foi detido e posteriormente liberado. Agora, ele vai responder judicialmente pelo crime de “dano ao patrimônio”. O dano, no caso, foi um para-brisa do veículo utilizado pelos agentes da prefeitura paulistana. Sério.

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A SSP disse que “durante a fiscalização da prefeitura, um vendedor ambulante que não possuía autorização para o comércio, em oposição à ação, danificou o para-brisa do veículo da prefeitura e agrediu os fiscais.”

A Ouvidoria da Polícia Militar afirmou que irá solicitar ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Militar uma averiguação sobre o caso, para avaliar se houve excesso de força durante a abordagem.

Em 2020, sob o comando de João Dória (PSDB), a Polícia Militar de São Paulo bateu seu recorde de letalidade e se confirmou como uma das mais violentas forças de segurança do Brasil. Entre o primeiro semestre de 2019 e 2020, o número de vítimas da PM paulista cresceu 21%. Na região metropolitana da capital, o número de assassinatos cresceu 70% no mesmo período.

O ouvidor da Polícia, Elizeu Soares Lopes, enxerga esses números com preocupação. “Nós não estamos em guerra. São números assustadores [de violência policial], nós estamos em uma situação de confinamento, onde a grande maioria das pessoas estão em casa, isoladas, com medo do coronavírus, que, esse sim, é nosso principal inimigo hoje. Então, não tem justificativa para esses aumentos significativos da violência”, disse Lopes no ano passado.

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Fotos: Reprodução/Twitter


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