Debate

África do Sul expõe ganância de países ricos que pode deixar nações sem vacina

Redação Hypeness - 01/02/2021 | Atualizada em - 16/02/2021

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa pediu na última semana aos países mais ricos do mundo que parem de “acumular” vacinas contra Covid e pediu o fim do “nacionalismo vacinal”.

Durante o evento virtual da Agenda de Davos do Fórum Econômico Mundial, Ramaphosa alertou que alguns países haviam pedido mais suprimentos de vacinas do que o necessário e que isso era contraproducente para o esforço de recuperação global.

Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa

Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa

“Acabar com a pandemia em todo o mundo exigirá maior colaboração no lançamento de vacinas, garantindo que nenhum país seja deixado para trás nesse esforço”, disse ele.

“Os países ricos do mundo saíram na frente e adquiriram grandes doses com os desenvolvedores e fabricantes dessas vacinas, e alguns países foram além e adquiriram até quatro vezes o que suas populações precisam”, disse ele.

“O objetivo era acumular essas vacinas e agora isso está sendo feito com a exclusão de outros países do mundo que precisam mais ainda disso”, acrescentou, pedindo aos principais polos econômicos que liberem seus estoques excedentes para distribuir aos países em desenvolvimento.

Fórum Econômico Mundial

Fórum Econômico Mundial

Situação da Covid-19 na África

A África do Sul é o país mais atingido pela Covid-19 no continente, que em grande parte conseguiu evitar o tipo de disseminação descontrolada que paralisou os EUA e grande parte da Europa. Até a manhã de terça-feira (26), o país registrou mais de 1,4 milhão de casos com 41.117 mortes.

Em um dos painéis de discussão da Agenda de Davos, o Diretor do CDC da África, John Nkengasong, disse que o continente está enfrentando uma “segunda onda muito agressiva” da pandemia.


A mortalidade nos 55 estados membros africanos chegou a ter um aumento médio de 18% na última semana.

“Nós, como continente, devemos reconhecer que as vacinas não estarão aqui quando as queremos, mas, como tal, precisamos realmente nos concentrar nas medidas de saúde pública que sabemos que funcionam”, acrescentou.

Combate à Covid na África

Ramaphosa, que também é presidente da União Africana, elogiou as colaborações do continente nas respostas da Covid-19.

Uma delas é a Plataforma de Suprimentos Médicos da África, que ofereceu assistência aos sistemas nacionais de saúde, estabeleceu centros de colaboração regional e destacou profissionais de saúde da comunidade para apoiar os testes e esforços de tratamento.

Ele também elogiou o progresso da Equipe de Tarefa de Aquisição de Vacinas da África, que ele disse ter sido criada quando as nações da UA perceberam “como os países mais ricos do mundo estão se comportando”.

A AVATT garantiu 270 milhões de doses provisórias para os estados membros da UA diretamente, além dos 600 milhões esperados da iniciativa COVAX, da OMS – Organização Mundial da Saúde.

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Redação Hypeness
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