Design

Biblioteca feita de gravetos em Liyuan, na China, parece saída de um sonho

Vitor Paiva - 08/02/2021 | Atualizada em - 04/03/2021

Inaugurada em 2011 com impressionante projeto arquitetônico do escritório Li Xiadong Atelier, a biblioteca de Liyuan, na China, edifica na vida real um cenário digno dos livros mais fantásticos de suas estantes – feita essencialmente com galhos de madeira para ser uma das mais belas bibliotecas do mundo. Com soluções simples, funcionais, até modestas e, ao mesmo tempo esteticamente impactantes e impressionantes, o projeto da biblioteca não rendeu prêmios internacionais ao arquiteto por acaso: trata-se de um desenho ambientalmente interessante e de grande vigor estético, criando uma biblioteca vistosa e agradável em construção perfeitamente integrada à incrível natureza do cenário ao redor.

Localizada no pequeno vilarejo que a batiza, nos arredores de Pequim, a biblioteca molda os gravetos com feixes de madeira que funcionam como estrutura para as incríveis paredes vazadas para iluminação natural. Na parte interna do prédio de um andar somente, plataformas integram prateleiras baixas e altas entre degraus que também funcionam como áreas para que os leitores possam se sentar.

O desenho do edifício visa tornar o local uma atração turística e também um ponto de importante serviço público – e, ao mesmo tempo (ainda que a primeira vista não revele tal aspecto), um verdadeiro triunfo da combinação entre arquitetura e tecnologia.

A aparência é contraria ao que se imagina de um edifício tecnológico, a Biblioteca de Liyuan traz um sistema de refrigeração que recicla o ar gelado da superfície do lago próximo no verão – para um prédio que utilizou em sua construção praticamente somente materiais recicláveis. “Todos os meus projetos são, em verdade, um teste, um esforço experimental sobre como podemos encarar e enfrentar alguns dilemas”, disse Li Xiadong, em entrevista ao site Deezen. “Nesse caso, como podemos explorar nossos conhecimentos tecnológicos. Normalmente compreendemos a tecnologia como algo separado da arquitetura”, comentou.

O projeto da Biblioteca de Liyuan rendeu ao escritório e ao arquiteto a primeira conquista do Prêmio Moriyama, que pagou 55 mil libras esterlinas – mais de R$ 402 mil reais – contra projetos de países diversos. A inauguração de um ponto de ônibus no local confirmou a inclinação turística da Biblioteca, recebendo milhares de visitantes inclusive partindo do grande centro urbano de Pequim para visitar o local. “Precisamos de mais projetos desse tipo, possivelmente modestos mas, ao mesmo tempo, com edifícios poderosos, que tornam a arquitetura em elemento de profundo entendimento sobre as pessoas, a cultura, o contexto, o local, os materiais e a luz”, disse um dos membros do júri do prêmio.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutor em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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