Tecnologia

Clubhouse é cobrado por acessibilidade para pessoas com deficiência

Redação Hypeness - 19/02/2021

Assunto bastante comentado na internet durante as últimas semanas, o aplicativo Clubhouse, uma rede social de grupos de bate-papo em áudio , chamou a atenção pela falta de acessibilidade para pessoas com deficiência .

Apesar da aparente inovação na área da comunicação online, o app demonstração pouca dedicação e interesse em facilitar o acesso e a navegabilidade a quem depende, por exemplo, de leitores de tela .

Foto ilustrativa do ícone do aplicativo Clubhouse

Com difícil interpretação por leitor de tela, o app Clubhouse deixa a desejar no quesito acessibilidade

Principais problemas de acessibilidade no Clubhouse

A questão problemática foi tratada no texto ” O Clubhouse é um clube tão exclusivo, que exclui pessoas com deficiência por natureza ” (em tradução livre), publicado no início de fevereiro, no site da ” Forbes “.

Escrito pelo jornalista Steven Aquino, que tem deficiências congênitas e é especializado em produzir conteúdos relacionados à inclusão e à diversidade, o artigo explicita, em detalhes, os pontos inadequados do Clubhouse quando se trata de acessibilidade.

“O aplicativo é exclusivo de duas maneiras: atualmente está disponível apenas para iOS [sistema operacional de aparelhos da Apple] e é necessário receber um convite para participar, que foi o que aconteceu comigo”, explica Steven, já alfinetando a seletividade da rede social.

“Eu vasculhei o aplicativo por tempo suficiente para perceber que há uma miríade de problemas com ele do ponto de vista da acessibilidade”, continua o redator.

Imagem ilustrativa da tela de download do aplicativo Clubhouse

Ao contrário do que possa parecer, o Clubhouse não visa a acessibilidade de pessoas com deficiência visual ao app

“Do lado do produto, o problema mais óbvio é que não há recursos para surdos ou deficientes auditivos, diz ele. Não há suporte para legendas ao vivo, o que significa que aqueles com pouca ou nenhuma audição são excluídos deste clube.”

“Da mesma forma, do ponto de vista visual, o aplicativo não oferece suporte ao redimensionamento de texto nem ao leitor de tela VoiceOver, da Apple. Além disso, o contraste da interface é relativamente baixo. A fonte de estilo fino não se destaca bem contra o fundo de cor creme dos menus e telas afins. Pode ser muito difícil de ler.”

“Resumindo, o Clubhouse também é exclusivo de outra maneira: é acessível apenas para aqueles que podem ouvir e ver normalmente, conclui Steven.

Relato parecido foi compartilhado pelo jornalista e ativista brasileiro Gustavo Torniero (@torniero), no Twitter. Pessoa com deficiência visual, ele não conseguiu participar de uma conversa no Clubhouse por conta da falta de acessibilidade do aplicativo.

“Fiquei duas horas em uma sala muito interessante no Clubhouse, rede social composta só de áudios. Quando finalmente decidi falar, não consegui ter acesso ao botão para aceitar o convite do moderador para abrir o microfone pela falta de acessibilidade para leitores de tela, explicou o jornalista.

Foi frustrante. Imagina você ouvir a moderadora da sala (que obviamente não sabia de nada disso e era uma fofa) dizer: “Torniero, você precisa ativar o botão para aceitar o convite”. Mas não tem como eu fazer isso se o app não tem uma boa acessibilidade para pessoas cegas”, concluiu Gustavo, que também é secretário de juventude na Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB).

Outras críticas ao Clubhouse incluem a falta de uma moderação de conteúdo eficaz e de políticas de prevenção de abusos dentro da plataforma.

Também existe o receio de que as salas de bate-papo com áudio da rede social criem espaços livres para a promoção de discursos de ódio e de práticas criminosas.

Publicidade

Fotos: Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.