Inspiração

Covid-19 mata veterano da 2ª Guerra de 100 anos responsável por arrecadar R$ 224 mi para o sistema de saúde inglês

Kauê Vieira - 03/02/2021

Veterano da Segunda Guerra e condecorado com diversas honrarias – incluindo de cavalheiro do império britânico que lhe conferiu o título de Sir – o capitão britânico Sir Tom Moore foi uma dessas pessoas que fez a diferença para o melhor e para o coletivo por toda sua vida. Protagonista de uma iniciativa no início da pandemia que arrecadou centenas de milhões de reais para o sistema de saúde público inglês, a família de Sir Moore infelizmente confirmou que o capitão faleceu na última terça-feira aos 100 anos de idade, por conta da Covid-19 e de uma pneumonia.

tributo ao Capitão Sir Tom Moore

Imagem postada nas redes do Capitão Sir Tom Moore © reprodução

Em abril do ano passado e já centenário, Sir Moore gravou um vídeo isolado em sua casa como uma campanha para arrecadar doações para o sistema público de saúde inglês – o famoso NHS. Convidando as pessoas a ajudarem o NHS, a promessa do cavalheiro veterano era de que daria 100 voltas com seu andador ao redor de seu quintal – uma para cada ano de sua vida – se as pessoas doassem a partir de seu vídeo. A ideia inicial era de conseguir mil libras, mas a campanha caseira e feita somente com a força de uma boa intenção e de um personagem tão incrível quanto a vida que viveu, a campanha foi ligeiramente além do esperado – e levantou nada menos que 30 milhões de libras, equivalente a cerca de R$ 224 milhões de reais.

Capitão Sir Tom Moore andando ao redor de seu quintal

Reprodução do vídeo que tornou o capitão um herói nacional © reprodução

O imenso sucesso da campanha fez com que o primeiro-ministro Boris Johnson em pessoa recomendasse à rainha a condecoração de Tom Moore. Em comunicado oficial à época, o governo britânico felicitou o capitão recém tornado em Sir por “suas extraordinárias realizações de captação de recursos depois de conquistar o coração das pessoas em todo o país”. Johnson agradeceu pessoalmente “em nome de todos os que se comoveram com sua incrível história”, pela “fantástica arrecadação de fundos que quebrou recordes, inspirou todo o país e nos trouxe um raio de luz em meio ao nevoeiro do coronavírus”, disse o primeiro-ministro.

Capitão Sir Tom Moore sendo condecorado em Sir pela Rainha da Inglaterra © PA

As justas honrarias foram além, e Sir Moore ganhou o voo de dois aviões da aeronáutica britânica e mais de 140 mil cartões de aniversário de todo o mundo em seu aniversário de 100 anos. Um trem de alta velocidade batizado com seu nome, ser nomeado membro honorário da equipe nacional de críquete, e um selo foi criado pelo correio inglês em sua homenagem. Como se não bastasse, ele ainda lançou uma autobiografia e ajudou na criação de uma instituição de caridade. “Ele foi um grande herói britânico, que mostrou o melhor do nosso país, e eu envio meus melhores votos para sua família neste momento”, lamentou Matt Hancock, ministro da saúde do país.

Alguns dos 140 mil cartões que o Capitão Sir Tom Moore recebeu pelo centésimo aniversário © Getty Images

Desenho em homenagem ao Capitão Sir Tom Moore nas ruas de Londres

Homenagem em uma parede de Londres © Getty Images

A morte de Sir Thomas Moore foi sentida em todo o país, e simbolizada em comunicado oficial vindo do Palácio de Buckingham. “Seus pensamentos — e os da família real — estão com eles, reconhecendo a inspiração que ele forneceu para toda a nação e outras pessoas em todo o mundo”, diz o comunicado oficial, que confirma também que a rainha teria enviado uma mensagem privada de condolências à família.

Residência oficial do primeiro-ministro em meio-mastro pela morte do Capitão Sir Tom Moore © Getty Images

Na residência oficial do primeiro-ministro, em Londres, as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro em tributo ao cavalheiro chamado pelo governo de “inspiração nacional”.

© Getty Images

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: créditos


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.