Arte

Esculturas de búfalo de 15 mil anos foram totalmente preservadas nesta caverna francesa

por: Vitor Paiva

Em um sistema de grandes cavernas no sul da França, uma rara descoberta arqueológica remonta não somente à pré-história da expressão humana como também aos primórdios da história da arte: uma pequena escultura em argila representando dois bisões. Segundo especialistas as esculturas datam de 15 mil anos atrás, no período que se estima que tenha iniciado o povoamento do continente americano, em cerca de 13.000 a.C., e surge como uma verdadeira joia da Cultura Magdaleniana, cultura tardia do período Paleolítico Superior da Europa Ocidental.

A escultura encontrada na caverna © Getty Images

Adjacentes ao Rio Volp, as cavernas recebem as águas do rio por um sistema de três diferentes entradas, intitulado “Trois-Frères”, ou Três Irmãos, Enlène e Tuc d’Audoubert. Foi dentro da caverna intitulada Tuc d’Audoubert que a escultura foi encontrada, junto de diversas inscrições e pinturas paleolíticas registradas nas paredes do local. Liderada pela arqueóloga Émile Cartailhac, a expedição pelo local encontrou diversos outros exemplos de artes produzidas pela população do período Magdaleniano na região – na caverna de Enlène, fragmentos de ossos com pequenos animais esculpidos também foram descobertos.

A entrada da caverna © Wikimedia Commons

Uma das salas da caverna Tuc d’Audoubert © Wikimedia Commons

Na caverna onde a escultura do bisão foi encontrada em excelente e rara condição, também foram descobertos mais de 103 animais pintados nas paredes – incluindo cavalos, cervos e os grandes felinos. Os bisões eram, no entanto, claramente os animais mais reverenciados e registrados nas artes da cultura de então, como as prováveis maiores fontes de alimento – junto destes, mais de 250 signos e desenhos abstratos foram encontrados junto de outras imagens misteriosas dentro das cavernas.

Uma das muitas pinturas descobertas no local © CC

A escultura do bisão foi feita em somente 45 centímetros de altura com detalhes precisos e impressionantes, provavelmente esculpida combinando ferramentas e as próprias mãos do artista, 15 mil anos atrás. A Cultura Magdaleniana é conhecida como o auge da chamada indústria do osso, quando o material era utilizado como base para o desenvolvimento de armas e ferramentas, como lanças e arpões, e também do período da arte mural pré-histórica: além da arte encontrada nas cavernas francesas à beira do Rio Volp, os afrescos de Lascaux, também na França, e de Altamira, na Espanha, também foram desenvolvidos no período.

Acima, detalhe da escultura; abaixo, a peça reunida e exibida em museu © Getty Images

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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