Ciência

 Existe o fedor e existe a tioacetona, o composto químico mais fedorento do mundo

por: Vitor Paiva

O prazer de um perfume delicioso invadindo nossas narinas é praticamente inigualável: pouca coisa é tão boa quanto um cheiro bom. Mas o mundo não é feito somente de tais prazeres, e é também um lugar fedorento e desagradável, e todos nós já tivemos de enfrentar alguns cheiros terríveis por aí – segundo a ciência, porém, nenhum aroma se compara, no pior dos sentidos, a podre fragrância da tioacetona, também conhecida como a mais fedorenta substância química do planeta.

homem de máscara de gás

O cheiro da tioacetona é tão desagradável que, apesar de não se tratar em si de um composto tóxico, por conta do fedor ela se torna um grande perigo – capaz de causar pânico, náusea, vômito e desmaio a grandes distâncias, sendo capaz de intoxicar a área de uma cidade inteira. Tal fato realmente ocorreu, na cidade alemã de Freiberg em 1889, quando trabalhadores em uma fábrica tentaram produzir o químico, e conseguiram: e por isso causaram o caos generalizado entre a população. Em 1967 um acidente similar aconteceu depois que dois pesquisadores ingleses deixaram uma garrafa de tioacetona aberta por alguns segundos, levando pessoas a passarem mal mesmo a centenas de metros de distância.

A fórmula da tioacetona

A fórmula da tioacetona

Curiosamente a tioacetona não é extamente um composto químico complicado, e pouco se explica sobre o motivo de seu fedor tão insuportável – o ácido sulfúrico presente em sua composição é provavelmente o motivador do cheiro, mas ninguém explica o motivo pelo qual seu cheiro é tão pior do que outros, capaz de levar “um passante inocente contra o vento a cambalear, embrulhar seu estômago e fugir em terror”, segundo o químico Derek Lowe. Sabe-se, porém, que a rejeição ao odor do ácido sulfúrico acompanha nossa evolução – associada ao cheiro de alimentos apodrecidos, como uma arma eficaz para evitarmos doenças e intoxicações: daí o terror provocado pelo cheiro de algo podre.

homem sentindo cheiro ruim

Além de intenso de forma sem igual, o cheiro da tioacetona é, segundo os registros dos casos supracitados, “grudento”, levando dias e dias para desaparecer – os dois ingleses que se expuseram ao componente em 1967 tiveram de permanecer semanas sem encontrar outras pessoas.

O componente é difícil de ser sintetizado por só se manter em estado líquido quando à temperatura de -20º C, tornando-se sólida em temperaturas maiores – ambos os estados, porém, oferecem o assombroso e misterioso fedor – que, ainda segundo Lowe, é tão desagradável que faz com que “as pessoas suspeitem de forças sobrenaturais do mal”.

homem com máscara de gás

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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