Sustentabilidade

Governo federal autoriza morte de pedaço da Amazônia com uso de Usina de Belo Monte

Redação Hypeness - 18/02/2021

Desde antes de sua construção, a Usina de Belo Monte trouxe controvérsias e gerou resistência de grupos indígenas e ambientalistas. A mega construção do setor energético no Rio Xingu traria impactos graves para a vida de comunidades na região e mais um passo foi dado nessa direção pelo governo federal.

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Após um conflito entre Ibama e Ministério de Minas e Energia, os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis acabaram tendo de ceder à pressão da gestão Bolsonaro: finalmente, o órgão de ‘preservação ambiental‘ autorizou a Norte Energia SA, subsidiária da Eletrobrás, a reduzir a vazão de água do Rio Xingu. Mas o que isso significa?

Depois de represar uma imensidão do rio, a usina hidrelétrica libera uma parte de água para a correnteza do leito. Diversos grupos indígenas e populações ribeirinhas moram na Volta Grande do Xingu e dependem da vazão de água liberada pela Usina para subsistir; seja através pela pescaria, agricultura, higiene ou consumo próprio.

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A Norte SA, o Ministério de Minas e Energia e as empresas do setor elétrico queriam que a vazão fosse reduzida para 1.100 metros cúbicos por segundo (m³/s). O Ibama acreditava que isso era impossível: para o órgão, o mínimo de vazão deveria ser de 3.100 m³/s, mas, nessa época (fevereiro), deveria ser de 10.900 m³/s. A média na época na região é de 14.000 m³/s. As informações são de Eliane Brum, para o El País.

Após a pressão do governo, um acordo foi feito entre o órgão, comandado por Eduardo Fortunato Bim, diretor-presidente do Ibama, e a Norte Energia SA. Agora, a vazão permitida é de 1.600 m³/s; sete vezes menos do que a recomendada pelos técnicos da principal instituição de defesa do Meio Ambiente do país, nove vezes menos do que a normal para a época. O acordo vale até o fim de 2022. O Ministério Público acredita que a decisão seja prejudicial aos povos indígenas:

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“Considerando que as populações indígenas e ribeirinhas moradoras da Volta Grande do Xingu têm como fundamento de seu modo de vida a codependência com os processos ecossistêmicos da região, quaisquer alterações imponderadas, imprudentes e/ou precipitadas desses processos levam a cenários de fragilização desses povos num sentido amplo da expressão. Trata-se da imposição irreversível de perda da soberania alimentar das famílias locais que tende a ser agravada para as próximas gerações, de fragilização econômica associada à perda de biodiversidade vegetal e animal, além da perda de qualidade de vida e de saúde dessas e das próximas gerações”, afirma relatório.

O dano para a fauna, flora e população da região é grave e a Norte Energia SA sabe disso. Tanto é que, consciente da completa destruição da vida dos peixes na região, a empresa sugeriu que peixes fossem criados em laboratório para alimentar a região, em plano recentemente divulgado.

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Nas páginas de economia dos jornais, o acordo foi comemorado. Entretanto, a vida para os povos indígenas Yudjá (conhecidos também como Juruna) e os Arara, além das comunidades ribeirinhas da região, vai mudar, talvez, para sempre.

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Fotos: © Getty Images


Redação Hypeness
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