Debate

Habib’s é acusado de confiscar gorjetas e exploração de funcionários em ação trabalhista

Redação Hypeness - 25/02/2021

Quem nunca cruzou com uma surpreendente promoção do Habib’s? As esfirras de baixo custo chegam rápido na sua casa e você, muitas vezes, nem passa perto da concorrência. Mas o lucro do fast food árabe tem que sair de algum lugar. E segundo uma denúncia de um ex-franqueado do Habib’s, o preço irrisório da sua esfiha vem da exploração de seus funcionários. De confisco de gorjetas à contratações irregulares, práticas ilegais estavam nas entranhas da empresa. O caso foi revelado ao Notícias da TV, do UOL.

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Salário abaixo e gorjeta confiscada 

Tudo começou com uma denúncia do empresário Marcelo de Souza. Ele juntou dinheiro e investiu R$ 2,6 milhões em uma franquia do Habib’s em Caieiras, cidade na Região Metropolitana de São Paulo. Ele acreditava que o retorno começaria a surgir entre três e quatro anos depois do investimento, mas percebeu que seria impossível obter o lucro previsto e começou a tentar entender como outras lojas da rede conseguiam se sustentar com os preços tão baixos.

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Através do sistema Tiger, em que era possível acessar informações de outras franquias, ele começou a estranhar os gastos de outros Habib’s com salários. Em abril do ano passado, uma loja próxima ao aeroporto de Congonhas dispendeu apenas R$ 9.351,11 em salários, mesmo com 30 funcionários. Isso colocaria o holerite médio em pouco mais de 300 reais por mês para cada profissional.

Outra percepção estranha de Marcelo de Souza foi sobre a propriedade das lojas mais lucrativas: o empresário percebeu que as lojas com participação acionária do grupo Habib’s (Alsaraiva, Gennius e Século XXI) obtinham resultados melhores. Quando observou as folhas salariais, por exemplo, da loja Tremembé, localizada na Zona Norte de São Paulo, os documentos relatavam que o restaurante pagava aos seus funcionários menos que o piso da categoria exigido pelo sindicato na capital.

Outra denúncia é que as lojas ficariam com os 10% que seria dado aos funcionários. Segundo o processo movido por Marcelo, dos 11 mil reais mensais presumidos de gorjeta para funcionários, pouco menos de 3 mil foram distribuídos aos contratados. O Notícias da TV ainda ouviu diversos funcionários que relataram terem sido contratados, sem CLT, pelo preço de R$ 5 a hora.

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Em reunião com os sócios do Habib’s, Souza afirmou ter sido coagido a retirar direitos trabalhistas. “Ao atender aos chamados para reuniões no escritório das requeridas [Alsaraiva, Século XXI e Gennius, as empresas de Alberto Saraiva], onde não se pode participar com celulares por receio de gravações, as sugestões da rede são exatamente as mesmas: solicitam aos requerentes [Souza e sua sócia] que mitiguem direitos trabalhistas básicos para conseguirem resultados lucrativos em sua loja, escreveu na inicial o advogado Alvaro Fumis Eduardo, que defende o empresário na casa.

O Habib’s se se pronunciou em nota enviada ao Hypeness dizendo que “a companhia não se manifesta sobre processo judicial em andamento envolvendo a relação entre franqueador e franqueado”.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Redação Hypeness
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