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Ibama registrou 600 animais mortos em centro de tratamento do Rio de Janeiro

Redação Hypeness - 24/02/2021

Uma reportagem da TV Globo mostrou a situação precária de um dos centros de tratamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Seropédica, no Rio de Janeiro. O local, destinado ao tratamento de animais resgatados do tráfico ilegal se mostrou praticamente um abatedouro; em 4 meses, cerca de 600 espécimes silvestres morreram pelo completo descaso que soma ingerência do órgão público e de empresas privadas.

Há tantos animais mortos que corpo técnico sequer conseguiu retirar todos os corpos do centro

Segundo a apuração, o local, que tem mais de 1,2 mil animais silvestres resgatados está sem administração ou cuidado algum; há muita sujeira e praticamente nenhuma alimentação para os bichos. No ano passado, a empresa responsável pela prestação de serviço abandonou o espaço, que é um dos maiores centros de acolhimento do Ibama no país.

– O que está em jogo no caso do fiscal do Ibama exonerado após multar Bolsonaro 

Um contrato de regime emergencial foi selado para tentar reparar os danos e manter a vida dos macacos, aves e outras vidas que que estão no espaço, mas ele foi quebrado em janeiro desse ano. São quatro técnicos do Ibama para os mais de 1,2 mil animais resgatados. Segundo os funcionários, não há sequer mão de obra para retirar os cadáveres dos animais que faleceram.

Para a piorar a situação, novos animais chegam ao espaço que não conta com nenhuma infraestrutura. As denúncias foram aumentando e agora o caso foi passado para a Polícia Federal, que recolhe depoimentos para avaliar o que está acontecendo no Ibama-RJ.

A contratação de empresas para o cuidado dos animais é de responsabilidade da superintendência do órgão no estado, gerido pelo contra-almirante da reserva da Marinha Alexandre Dias da Cruz, que assumiu o cargo no início de 2019.

Mais trapalhadas no Ibama

Desde a chegada do Presidente Jair Bolsonaro, o Ibama tem sido alvo de pressão política e empresarial grave. Com decisões técnicas sendo revogadas e até ameaças contra fiscais que exerciam seu trabalho no combate a crimes ambientais, a situação do principal órgão de preservação do meio ambiente no governo federal é grave. Relembre alguns casos:

Em 8 de fevereiro desse ano, técnicos do Ibama cederam à pressão do governo para alterar a vazão da Usina de Belo Monte na Volta Grande do Xingu, o que prejudicou a vida de comunidades ribeirinhas e populações indígenas da região de Altamira, no Pará.

Em novembro de 2020, Eduardo Bim, presidente do órgão, liberou a exportação de madeira irregular após uma reunião com sócios de madeireiras multadas em mais de R$ 2 milhões pelo próprio Ibama, cedendo à pressão de empresários.

No mesmo mês, o superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Santos Alves, que também é empresário do mercado de imóveis de luxo na costa do estado, cancelou uma multa de R$ 7,5 milhões contra um megaresort que danificou a areia de uma praia essencial para a reprodução de tartarugas marinhas.

Em setembro, o órgão teve verba suspensa para combate aos incêndios no Pantanal; em dado momento, as equipes de brigada tiveram suas ações interrompidas porque não havia mais dinheiro para trazer recursos e fazer contratações relacionadas ao maior incêndio da história no bioma.

Tudo isso apenas nos últimos cinco meses. Difícil acreditar, né?

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Fotos: Reprodução/TV Globo/Arquivo Pessoal


Redação Hypeness
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