Ciência

Por que ciência vê hipopótamos de Pablo Escobar como ameaça ao meio ambiente

Redação Hypeness - 24/02/2021

Importados ilegalmente para a Colômbia, os hipopótamos do antigo zoológico particular de Pablo Escobar (1976 – 1993) tornaram-se selvagens e, segundo cientistas, representam um verdadeiro problema para o ecossistema original da região.

Naturais da África, os hipopótamos de Escobar devem ser abatidos antes que sua presença invasora comece a exterminar a flora e a fauna nativas da área colombiana.

Hipopótamos de Pablo Escobar nadando na Colômbia

Os hipopótamos de Pablo Escobar representam imenso perigo para o equilíbrio ecológico da Colômbia

A história dos hipopótamos de Pablo Escobar

Os enormes animais faziam parte do rancho inaugurado pelo famoso narcotraficante em 1979. Conhecido como Hacienda Nápoles, o local fica em Antioquia, a cerca de 320 quilômetros da capital Bogotá.

Lá, o lorde colombiano de drogas passava férias e mantinha exemplares de cangurus, elefantes, girafas e outras espécies exóticas e não oriundas do país sul-americano.

Entrada da Hacienda Nápoles

Arco de entrada da Hacienda Nápoles, em Antioquia, na Colômbia

Depois que Escobar foi caçado e morto pela polícia, em 1993, a maior parte dos animais da Hacienda foram apreendidos ou morreram.

Em contrapartida, os hipopótamos continuaram a habitar a região e foram abandonados no rancho por conta de custos e de problemas logísticos para transportar a espécie.

Imensos e violentos, estes animais tornaram difíceis as tentativas do governo de controlar seu crescimento populacional. Assim, o número de hipopótamos aumentou de 35 para algo entre 65 e 80 exemplares nos últimos oito anos.

Hipopótamo de Pablo Escobar que vive na Colômbia

Os hipopótamos colombianos não possuem predadores naturais na região

Preocupação de cientistas

Um grupo de cientistas está alertando autoridades locais sobre o tamanho da ameaça è biodiversidade colombiana que os hipopótamos representam.

Além do perigo a seres humanos, os pesquisadores alertam para um descontrole ainda maior do número de exemplares do animal, que podem chegar a cerca de 1.500 em 2035.

“Acredito que seja um dos maiores desafios das espécies invasoras no mundo”, diz Nataly Castelblanco-Martínez, ecologista da Universidade de Quintana Roo, no México, e autora principal do estudo do grupo.

Contudo, a ideia de abater o rebanho já atraiu algumas críticas. A população local abraçou os hipopótamos como se fossem seus, o que em parte acontece por causa dos dólares de turistas que se entretêm ao vê-los vagando pelos arredores da propriedade de Escobar.

Placa alertando sobre a presença de hipopótamos na região

Placas alertam turistas sobre a presença de hipopótamos nas redondezas da Hacienda Nápoles

Depois que um dos animais perseguiu e feriu gravemente um fazendeiro, os cientistas começaram a trabalhar na previsão da população de hipopótamos. O estudo foi publicado na revista “Biological Conservation“, em janeiro de 2021.

Ameaça ao ecossistema e à biodiversidade

Outro estudo realizado em 2020 por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, descobriu que os hipopótamos estão mudando a qualidade da água na qual passam grande parte do tempo e defecam.

Segundo Nataly, conforme a população do animal africano continua a crescer, os pesquisadores cogitam a possibilidade de deslocar espécies nativas da Colômbia, como os peixes-boi das Antilhas.

Os hipopótamos prosperam na região fértil situada entre Medellín e a capital da Colômbia, Bogotá. Eles vivem na área ao redor do Rio Magdalena e passam o dia principalmente nos lagos e canais e a noite perambulam por pastos sem fim.

Ao contrário de sua África nativa, eles não têm predadores naturais na Colômbia.

Foto de um hipopótamo perambulando pela Hacienda Nápoles

Os hipopótamos perambulam dentro e fora dos limites da Hacienda Nápoles

Há cerca de 10 anos, percebemos que temos uma população gigante de hipopótamos. Começamos a aprender como a população era constituída, para ver se havia uma solução imediata”, explica David Echeverri-Lopez, pesquisador da agência ambiental regional que supervisiona os enormes bichos.

O governo tentou a esterilização, mas é um processo complexo e caro.

Primeiro, um animal deve ser induzido a entrar em um enorme curral de metal para ser sedado. Em seguida, uma equipe de especialistas em vida selvagem passa cerca de três horas cortando a pele grossa do bicho e tentando encontrar os órgãos reprodutivos do hipopótamo.

“A comunidade [local] fica de olho em nós para ter certeza de que estamos realmente esterilizando [o hipopótamo] e não fazendo mais nada”, diz Gina Serna-Trujillo, uma das veterinárias que conduziu esterilizações. “Eles os amam.”

Por sua vez, a cientista Nataly Castelblanco-Martínez afirma que discussões sobre o futuro dos hipopótamos na Colômbia não devem ser regidas pelos sentimentos calorosos que os animais geram.

“Temos outras espécies invasoras na Colômbia que passaram por protocolos normais, e ninguém nunca faz barulho, porque eles estão pescando peixe-leão”, diz ela, referindo-se a um peixe nativo do Indo-Pacífico que é uma espécie invasora do Oceano Atlântico.

“Você não pode nem falar sobre [abater hipopótamos] porque a rejeição é impressionante … Estou sendo chamado de assassina”, finaliza ela.

Texto escrito com informações do “Guardian“.

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Fotos: Getty Images


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