Debate

Professores de pilates e esteticistas são vacinados contra a covid-19 mesmo com falta de imunizantes

por: Redação Hypeness

Uma denúncia da UOL expôs novas falhas no plano e no monitoramento da vacinação contra a covid-19 no Brasil. O critério que coloca profissionais de saúde como prioridade na fila para a imunização está sendo utilizado por pessoas que não estão na linha de frente no atendimento de hospitais

Um dos casos citados aconteceu em Itapuí, cidade do interior paulista com 14 mil habitantes, onde uma esteticista de 40 anos se vacinou e mandou um e-mail para os clientes com a foto da carteirinha de vacinação a fim de recuperar sua agenda de atendimentos. Mesmo não sendo um serviço de saúde essencial. 

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Em Peruíbe, no litoral paulista, esteticistas também estão sendo vacinados em uma clínica. A prefeitura, neste caso, definiu que imunizou profissionais de saúde da rede privada nas empresas cadastradas junto ao executivo municipal. Diversos profissionais que trabalham em farmácias, inclusive, estão sendo imunizados.

Também no interior paulista, moradores de Monte Mor relataram que instrutores de academia e estudantes de veterinária já foram vacinados. O caso de uma mulher que se identifica como funcionária da Ambev, maior produtora de bebidas do país, ainda causa dúvidas. Ela mostrou nas redes sociais uma foto comemorando a dose da Coronavac que recebeu, mas sem explicar o critério. 

Por fim, as denúncias da cidade de Lins, em São Paulo, dão conta de que são os fisioterapeutas que trabalham em um estúdio de pilates que estão sendo imunizados. A prefeitura da cidade emitiu na última semana uma nota dizendo que “até o momento foram aplicadas 314 doses nos grupos prioritários, seguindo estritamente as recomendações do Plano Nacional de Vacinação” e se justificou afirmando ter vacinado 100% do público-alvo da primeira fase. A secretaria de saúde de Monte Mor afirmou que a vacinação segue orientações passadas pelo governo de São Paulo. 

Cadê a fiscalização? 

As filas de vacinação nestas cidades apontam para a ineficácia do governo federal em lidar com a crise da covid-19 no país. Apesar do plano de vacinação, ainda falta uma coordenação federal que elenque os critérios de prioridade para a vacinação e evite o aumento do número de mortos que está perto de romper a marca de 250 mil pessoas vitimadas pela covid-19 em apenas um ano

Ao invés disso, a responsabilidade de definir os grupos a serem vacinados prioritariamente ficou para os estados e municípios, cada um com planos, prioridades e fiscalizações diferentes. 

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Diante desse cenário, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que o governo federal deveria apresentar a ordem dos grupos prioritários a serem vacinados em suas respectivas fases.

Já a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), atribuiu o problema a “sucessivos equívocos do governo federal na coordenação do enfrentamento à covid-19” à “escassez e falta de doses de vacinas em cidades de todo o país”. A avaliação está em nota divulgada nesta terça-feira (16). Para a entidade a carência de imunizantes está ‘diretamente‘ ligada aos erros do governo.

A falta de doses tem freado a vacinação em cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Ananindeua (PA). “Que o Brasil não soube lidar com a pandemia, não restam dúvidas, mas, prefeitas e prefeitos, que sempre solicitaram e incentivaram a organização nacional, agora exigem respostas”, afirmou a FNP.

E os professores? 

Outra preocupação é quanto à vacinação dos professores, especialmente nas redes pública, municipal, estadual e federal de ensino. No Chile, os professores escolares foram prioridades da campanha de vacinação que começou na segunda-feira (15), com o objetivo de retomar as aulas presenciais em março.

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Por lá, os professores deveriam ser vacinados no fim do mês, mas o governo decidiu adiantar o processo para evitar o fechamento de escolas, como ocorreu em grande parte do ano passado. Com esse objetivo, está prevista a imunização de 514 mil funcionários de estabelecimentos de ensino, entre professores, pré-escolares, auxiliares de educação, diretores, administradores e manipuladores de alimentos.

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Fotos: Getty Images


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