Ciência

Sabedoria pode combater solidão de idosos, aponta estudo

25 • 02 • 2021 às 18:33
Atualizada em 05 • 03 • 2021 às 12:58
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Entre os diversos fatores que podem afetar a saúde de uma pessoa com idade mais avançada, um dos fatores é pouco mencionado mas um dos mais perigosos agravantes na velhice: a solidão. Diversas pesquisas confirmam que as pessoas idosas que não conservam companhias ou conexões pessoais profundas correm maiores riscos de saúde – mas um novo estudo confirma uma correlação entre índices de sabedoria e a manutenção de relacionamentos. Em resumo, as pessoas mais sábias na velhice mantém mais conexões e contatos com outras pessoas: são menos sozinhas.

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Realizado em parceria entre pesquisadores da Califórnia e da Itália, o novo estudo cruzou dados de pessoas de San Diego, na Califórnia, e de Cliento, na Itália, entre grupos de adultos entre 50 a 65 anos, e outros mais velhos, passados dos 90 anos. “Solidão sempre foi associada a uma saúde pior, um sono de pior qualidade e menos felicidade de modo geral, enquanto a medida contrária é notada no que diz respeito à sabedoria”, afirmou o Dr. Dilip Jeste, médico e cientista da UC San Diego School of Medicine e líder da pesquisa, que foi realizada em parceria com cientistas da University of Rome La Spaienza.

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A Escala de Sabedoria

A pesquisa mediu os dados utilizando a Escala de Solidão determinada pela Universidade da California, e a Escala de Sabedoria apontada pela Universidade de San Diego. A sabedoria, no caso, é determinada por capacidades como empatia, compaixão, auto-crítica e regulação emocional, tendo a empatia e a compaixão determinadas como a mais forte relação inversa com a solidão: quanto maior for a compaixão, menor será a solidão.

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“É incrível que as descobertas que correlacionam esses dois traços sejam tão similares mesmo em dois contextos culturais tão diferentes – uma região rural do sul da Itália e uma área urbana dos EUA, com línguas e históricos educacionais e socioeconômicos tão diferentes”, comentou Salvatore Di Somma, professor de medicina na U. Rome La Sapienza e outro líder da pesquisa. “Tanto a solidão quando a sabedoria são traços da personalidade, e a maioria dos traços de personalidade são em parte herdados e em parte moldados pelo contexto”, apontou Jeste. O estudo foi publicado na revista científica Aging and Mental Health em outubro de 2020 e, segundo Jeste, as conclusões levam ao próximo e fundamental passo: criar métodos eficazes para ampliar a compaixão e, assim, reduzir a solidão.

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© fotos: Getty Images


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