Inspiração

Amizade entre girafas fêmeas faz com que animais vivam mais

Vitor Paiva - 12/03/2021

A ciência comprova que ter amigos faz bem à saúde, mas não só para os seres humanos: entre as girafas fêmeas, laços de amizade podem ser o diferencial para uma vida mais longa e melhor. É o que mostra um estudo realizado por cientistas da Universidade de Zurique, combinou informações, dados demográficos e outros estudos sobre as girafas para confirmar que um relacionamento próximo com outras fêmeas da espécie ajuda na luta pela saúde, e o bem-estar – aumentando assim as chances de sobrevivência de cada fêmea.

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A amizade entre girafas fêmeas traz benefícios diversos pra saúde e a vida dos animais © Pixabay

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A equipe do estudo foi liderada pela cientista Monica Bond, ligada à universidade, e trabalhou com os dados após cinco anos de trabalhos com o animal na Tanzânia, país da África Oriental, e mostrou que as girafas fêmeas criam laços de amizade semelhantes aos desenvolvidos entre humanos – e com benefícios equivalentes. “Agrupar-se com mais fêmeas está correlacionado a uma melhor sobrevivência das girafas fêmeas, mesmo com a mudança frequente de membros do grupo”, afirmou Bond. Enquanto as girafas com mais “amigas” ampliam as possibilidades de alimentação e proteção para ela e os filhotes, aquelas que vivem solitárias aprendem menos a respeito de fontes de alimento ou da ameaça de predadores.

Duas girafas da espécie Giraffa camelopardalis, no Quênia

Duas girafas da espécie Giraffa camelopardalis, no Quênia © Getty Images

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Os benefícios, porém, não são estritamente sociais, e o trabalho mostra que os benefícios da amizade entre as girafas fêmeas são também emocionais e mesmo fisiológicos, pois os animais que construíram tais laços conseguem controlar melhor seus níveis de estresse. “Parece ser benéfico para as girafas fêmeas se conectarem com um número maior de outras e desenvolver um senso de comunidade maior, mas sem um forte senso de afiliação de subgrupo exclusivo”, complementou a pesquisadora.

Ameaçadas de extinção

Atualmente restam apenas 111 mil girafas no mundo, e a perda do habitat natural, a redução da oferta de alimentos e ainda a caça ilegal colocam a espécie sob forte ameaça. Segundo um estudo publicado na revista The Atlantic, nos últimos 30 anos a população de girafa caiu em 30% no mundo, e o quadro pode se agravar pela pouca atenção oferecida por conservacionistas ao animal, que acaba ignorado em favor de espécies em situações ainda mais graves. O fenômeno é conhecido como “extinção silenciosa”, pode ser determinante para o futuro das girafas.

Duas girafas de perto

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E mais: as mudanças climáticas provocando estações chuvas mais curtas e períodos de seca mais longos, somadas à competição por recursos naturais também vem afetando a reprodução e mesmo a sobrevivência das girafas, e o estudo da Universidade de Zurique atesta, assim, a importância que os laços de amizade possuem para a vida das fêmeas desse mamífero. “Este aspecto da sociabilidade das girafas é ainda mais importante do que os atributos de seu ambiente não social, como vegetação e proximidade de assentamentos humanos”, afirmou Bond.

Três girafas no Quênia

A amizade entre girafas reduz o estresse também nos animais © Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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