Diversidade

‘BBB’: 3 coisas sobre bissexualidade para não repetir bifobia de participantes do reality

por: Karol Gomes

Definir bissexual como confuso, irresponsável, promíscuo ou que possui uma orientação sexual de conveniência são nomenclaturas equivocadas e preconceituosas. Preconceito este, demonstrado por diversos participantes da 21ª edição do ‘Big Brother Brasil’, que está no ar nas noites da Rede Globo.

Começou com Lucas Penteado, que se assumiu bi durante sua passagem pela casa. O jovem desistiu do jogo, principalmente por causa da reação das pessoas com seu beijo e Gil do Vigor. 

Na festa da madrugada de quinta-feira (18) não foi diferente. A advogada Juliete, que estava bêbada, soltou: “Tá muito difícil ser mulher nesse programa. Os ‘cabra’ desse programa metade é casado, 20% é gay, os outros…”, declarou e, lembrando da trajetória de Lucas no programa, que primeiro tentou beijar Kerline e depois beijou Gil. “Ele não decidia se ele queria mulher ou homem”.

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Lucas foi julgado pelos participantes após envolvimento com Gil

João explica 

Presente na conversa, o participante João foi rápido em replicar Juliette, explicando que Lucas não deveria escolher entre homem ou mulher, pois ele é bissexual. O mesmo fez o namorado dele, que acompanhava a cena pelas redes sociais. Igor Moreira, que também é bi, se pronunciou quanto à fala preconceituosa da paraibana.

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“Mais uma vez João defendendo a bissexualidade alheia. Obrigado, João”, escreveu no Twitter, agradecendo João por ter repreendido a sister na hora que ouviu a frase.

João, que tem um namorado bissexual, repreendeu a fala de Juliette

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Na postagem, Igor, deixa claro que, apesar de gostar da advogada, ficou bastante incomodado com a sua fala. “Da para a gente gostar das pessoas e reconhecer o erro. A fala da Juliette é bastante incômoda para mim, porque o João, gay, é casado com um homem bissexual. Então, fica a reflexão aí, né, amados e amadas”.

Juliette também praticou bifobia na casa do ‘BBB’

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Um estudo do American Institute of Bisexuality e Bisexual Resource Center, explica que os preconceitos enfrentados pelos bissexuais vêm tanto da sociedade como da própria comunidade que os integra e podem ser identificados com os seguintes comportamentos:

1. Apagamento bissexual e bifobia

Muita gente reduz a bissexualidade como uma orientação conveniente ou inventada, usada por homens em negação de uma suposta homossexualidade e por mulheres que só querem experimentar. O American Institute of Bisexuality atribui estas concepções a atitudes negativas muito mais sobre bissexuais (especialmente homens bissexuais) do que têm quanto aos gays e lésbicas. Ou seja, héteros possuem mais preconceitos contra bis.

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Outros fatores contribuem para a invisibilidade das pessoas bissexuais segundo o Instituto, como chamar bissexuais de ‘aliados’ da luta LGBT, excluindo-os de uma comunidade que deveria integrá-los; o uso de linguagem não-inclusiva, como ‘casamento gay’ ou ‘casal gay’ e ‘casal lésbico‘ ou determinar a sexualidade da pessoa considerando apenas o sexo do seu companheiro ou companheira.

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2. Identidade x Comportamento

O estudo também aponta que a maioria dos bissexuais não sai do armário por estarem em relacionamentos com alguém do sexo oposto e não são abertos sobre sua orientação. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2013, apenas 28% das pessoas que se identificavam como bissexuais falaram que eram abertas quanto à sua sexualidade.

3. Riscos à saúde

A marginalização e a discriminação que a comunidade bissexual sofre na sociedade reflete também na saúd. Muitos bissexuais evitam fazer exames ou mentem sobre o histórico sexual e, por isso, enfrentam problemas maiores. A mentalidade também fica abalada por todos esses cenários. Heterossexuais, lésbicas e gays, bissexuais sofrem mais com ansiedade, depressão e outros distúrbios de comportamento.

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Fotos: Reprodução / TV Globo / Globoplay


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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