Ciência

Cientistas usam tinta de cálcio para imprimir ossos com células vivas

por: Vitor Paiva

Colocando a tecnologia das impressoras 3D dentro das salas de cirurgia, um grupo de cientistas australianos desenvolveu uma “tinta” feita especialmente de fosfato de cálcio, que no futuro poderá servir como solução para o reparo de ossos e outros tecidos similares. A tinta é complementada com células vivas, e a impressão pode ser feita em uma sala comum, em temperatura ambiente, e sem produtos químicos fortes ou uso de radiação – tornando assim a impressão 3D ou Bioimpressão em um instrumento transformador para o futuro da medicina.

Detalhe da impressora 3D da University of New South Wales trabalhando com a tinta de cálcio

Detalhe da impressora 3D trabalhando com a tinta de cálcio

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A novidade foi desenvolvida por cientistas da University of New South Wales (Universidade de Nova Gales do Sul, em tradução livre), situada no subúrbio de Sidney, na Austrália, e se realiza através de uma técnica intitulada COBICS que, em inglês, é sigla para “bioimpressão omnidirecional de cerâmica em suspensão celular”. Mais do que a facilidade e a rapidez para se realizar a impressão, a maior transformação possivelmente oferecida pela técnica está no fato de tais estruturas enrijecerem em questão de minutos quando em contato com água.

A impressora 3D da University of New South Wales

A impressora 3D

“Essa é a uma tecnologia única, que pode produzir estruturas que mimetizam precisamente tecidos ósseos”, afirmou Dr. Iman Roohani, da escola de química da universidade. Essa é a primeira vez que se combina a base de cerâmica com células vivas, e que se pensa na tecnologia para ser aplicada diretamente na cavidade. A nova tecnologia pode ser usada tanto para reparar ossos feridos em acidentes, quanto pelo efeitos de doenças como o câncer sobre os tecidos.

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“O mais legal da nossa técnica é que você pode inserir a peça diretamente onde existam células, como uma cavidade em um osso do paciente”, afirmou Kristopher Kilian, professor associado que também desenvolveu a tecnologia. “Podemos agir diretamente no osso, onde há células, vasos sanguíneos e gordura, e imprimir uma estrutura similar a um osso que já contém células vivas, diretamente naquela área”, explicou, Até então impressões com função similar tinham de ser feitas em laboratório, utilizando a alta temperatura de fornos além de químicos especialmente tóxicos.

A impressora 3D da University of New South Wales

Na pesquisa, publicada na revista científica Advanced Functional Materials, os autores explicam a maneira que a “tinta de cálcio” foi desenvolvida, utilizando uma base de microgel contendo as células. “Em outras palavras, forma-se uma estrutura quimicamente semelhante a um jogo de peças de encaixar feito de ossos. A tinta foi feita de tal maneira que a conversão é rápida, atóxica, em um ambiente biológico que se se inicía quando exposto aos fluídos corporais, oferecendo assim um amplo tempo de trabalho para, por exemplo, os cirurgiões”, diz o texto.

A impressão em 3D de cálcio da University of New South Wales

O resultado da impressão

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Segundo o Dr. Kilian, a mudança advinda da novidade pode ser radical e inédita, reduzindo a duração de uma cirurgia, a dor do paciente e salvando vidas. “Posso imaginar o dia em que um paciente precisando de um enxerto ósseo irá até uma clínica onde sua estrutura anatômica e óssea já estará traduzida para uma impressora 3D, que irá imprimir diretamente na cavidade com suas próprias células”, concluiu.

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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