Empreendedorismo

Dia Mundial do Empreendedorismo feminino celebra a liderança da mulher no mercado de trabalho

26 • 03 • 2021 às 11:01
Atualizada em 15 • 12 • 2021 às 13:22
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

19 de novembro é o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino. A data é parte de uma campanha das Nações Unidas contra a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Em parceria com diversas instituições globais, a ONU oferece incentivo às mulheres que comandam os próprios negócios.

Toda empreendedora sabe, porém, que o trabalho é necessariamente diário e extenso, e por isso qualquer dia é dia mundial da mulher que empreende – e que lidera e realiza seu business, sua empresa, seu projeto, seu ofício.

O empreendedorismo feminino é fundamental para o desenvolvimento da economia do país.

Por isso, selecionamos aqui algumas informações fundamentais sobre empreendedorismo feminino e os dilemas das empresas comandadas por mulheres, além de uma seleção de frases de líderes inspiradoras do mundo todo.

Quando você tropeçar, mantenha a fé. Quando for nocauteado, levante rápido. Não ouça quem diz que você não pode ou não deve continuar.

Hillary Clinton, 67ª Secretária de Estado dos Estados Unidos.

O que é o empreendedorismo feminino?

A resposta para essa pergunta pode ter tanto um caráter individual quanto coletivo. Por um lado, trata-se do gesto inspirador e corajoso de uma mulher contrariar as tendências e barreiras para abrir seu próprio negócio e conduzir sua carreira tomando as rédeas do próprio trajeto profissional.

No âmbito coletivo, pode ser visto como um verdadeiro movimento: de incentivo e participação nos projetos e empresas tocadas por mulheres. Assim, consumir produtos de tais empresas é uma maneira de ajudar a quebrar paradigmas desiguais, machistas e preconceituosos sobre as lideranças femininas no mercado de trabalho.

Maioria da população, as mulheres não ocupam 13% das posições de destaque nas grandes empresas.

– Em Portugal, empresa que pagar menos às mulheres será multada

É importante frisar que, quando falamos de empreendedorismo feminino, não estamos nos referindo somente às grandes empresas lideradas por mulheres. O empreendedorismo feminino também diz respeito às produtoras locais, aos pequenos negócios e às startups.

– 1 em cada 3 startups no Oriente Médio é liderada por uma mulher; mais que no Vale do Silício

Cada projeto é parcela importante de tal movimento, trazendo benefícios para cada mulher, mas também para a economia. Além de ajudar a tornar a sociedade menos desigual e mais inclusiva.

Os pequenos negócios também são parte importante do empreendedorismo feminino.

Mude a sua vida hoje. Não deixe para arriscar no futuro, aja agora, sem atrasos.

 Simone de Beauvoir, escritora, filósofa e ensaísta francesa.

A data foi estabelecida pela ONU Mulheres, braço das Nações Unidas que defende os direitos humanos femininos. Tem seis áreas de atuação, também chamadas de pontos de incentivo e mudança: liderança e participação política das mulheres; empoderamento econômico como parte da afirmação feminina; combate irrestrito à violência contra mulheres; paz e segurança em emergências humanitárias; governança e planejamento e, por último, normas globais e regionais.

2014 foi o primeiro ano em que o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino foi celebrado. Na ocasião 153 países organizaram atividades globais pelo fortalecimento do protagonismo da mulher.

Você pode não controlar os eventos que acontecem com você, mas você pode decidir não se deixar rebaixar por eles.

Maya Angelou, escritora e poeta norte-americana.

Dados sobre o empreendedorismo feminino no Brasil

O Brasil possui hoje cerca de 30 milhões de empreendedoras ativas. Esse número aumentou consideravelmente no último ano, mas ainda representa 48,7% do mercado – dado inferior à proporção populacional feminina.

As mulheres correspondem a 52% da população brasileira e ocupam somente 13% das posições de destaque entre as maiores empresas do país. Entre as mulheres negras, a realidade é ainda pior.

Curiosamente, apesar de se tratar de um país tão desigual, o Brasil é a 7ª nação com mais mulheres empreendedoras no mundo. E tudo indica que está destinado a subir ainda mais de posição.

As mulheres são menos inadimplentes e, no entanto, pagam mais juros.

– Mulheres dominam mais de 70% da produção científica nacional, mas ainda enfrentam desafios de gênero

Mas muitas correções se fazem ainda necessárias nesse caminho pela afirmação feminina no mercado de trabalho e negócios. Dados do Sebrae comprovam que as mulheres empreendedoras estudam 16% a mais do que os homens, e ainda assim ganham 22% a menos.

Quase metade dessas mulheres também chefiam suas residências enquanto lideram suas empresas. E a absoluta maioria – cerca de 80% – não possuem sócio algum.

– Bilionário indiano faz postagem reconhecendo o trabalho invisível das mulheres e viraliza

Oprah Winfrey é um dos maiores nomes da história da TV e uma das maiores empresárias dos EUA.

– Mulheres vão sentir mais recessão e outros impactos econômicos do coronavírus

Além disso, ainda que apresentem uma média de inadimplência menor que os homens – de 3,7% contra 4,2% – as mulheres tendem a pagar uma taxa de juros maior: 34,6% contra 31,1% entre os empreendedores homens. E o problema começa já no momento da contratação: segundo o Linkedin, mulheres tem 13% a menos de chance de serem consideradas por um recrutador apenas por serem mulheres.

Eu fui criada para acreditar que a excelência é a melhor forma de impedir o racismo ou o sexismo. E é assim que eu escolhi operar a minha vida.

Oprah Winfrey, apresentadora de televisão e empresária norte-americana

– ‘Hora de mulheres falarem e homens ouvirem’: O discurso histórico de Oprah Winfrey contra machismo no Globo de Ouro

Exemplos de empreendedorismo feminino no Brasil

O Brasil está repleto de grandes empreendedoras que merecem toda a atenção e aplausos. As cozinheiras de Paraisópolis, as empresárias negras que se uniram durante a pandemia para confeccionarem máscaras e Viviane Sedola, a brasileira apontada como uma das 50 mulheres mais influentes do mundo no mercado de cannabis são apenas alguns exemplos.

Não se pode esquecer da importância da loja Translúdica, que atua pela inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho, e da Señoritas Courier, um serviço de entregas de bike realizado em São Paulo somente por mulheres e transexuais. Há ainda a Donuts Damari, de Carolina Vascen e Mariana Pavesca.

Luiza Trajano revolucionou o ramo do varejo no Brasil.

Empreendedorismo, para mim, é fazer acontecer, independentemente do cenário, das opiniões ou das estatísticas. É ousar, fazer diferente, correr riscos, acreditar no seu ideal e na sua missão.

Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza

Entre tantas grandes mulheres e importantes iniciativas, no entanto, é impossível não pensar em Luiza Helena Trajano. Nome por trás do imenso sucesso da rede de lojas Magazine Luiza, ela começou a trabalhar aos 12 anos no estabelecimento de seus tios na cidade de Franca, no interior de São Paulo.

Em 1991, Trajano se tornou CEO da empresa e iniciou uma transformação digital na rede – que hoje possui mais de 1000 lojas e um e-commerce que fazem da marca uma das líderes no ramo. Não demorou muito para que a empresária se tornasse uma das brasileiras mais ricas e influentes do país.

Após morte de funcionária, Luiza Trajano intensifica luta contra o abuso

“Quem empreende vira noite, tenta, erra, erra de novo, cai, levanta, pensa em desistir, mas no dia seguinte está de pé pois seu propósito de vida é tão contundente que leva consigo essas lições que aprendemos, muitas vezes, na dor”, escreveu Camila Farani em artigo sobre a data. A empresária e investidora brasileira é referência no empreendedorismo nacional.

Camila Farani é uma das maiores investidoras-anjo do país.

– Por elas, para elas: 6 presentes feitos por mães empreendedoras para a sua mãe

O empreendedorismo feminino, portanto, não só oxigena e amplia o mercado de trabalho, as oportunidades de emprego e de criatividade no país, como também aquece a economia. Segundo estudo realizado pelo Boston Consulting Group em 2019, reduzir a diferença de gênero em cargos executivos pode elevar o PIB nacional entre US$ 2,5 trilhões e US$ 5 trilhões.

A liderança feminina nos negócios costuma se traduzir em lucros maiores, apesar das barreiras impostas.

Um futuro melhor passa necessariamente pela força do empreendedorismo feminino. E, de preferência, não apenas no dia 19 de novembro, mas também no resto do ano.

Faça coisas. Seja curioso, persistente. Não espere por um empurrão da inspiração ou por um beijo da sociedade na sua testa. Preste atenção. É tudo sobre prestar atenção. É tudo sobre captar o máximo que você puder do que está por aí e não deixar que desculpas e que a monotonia de algumas obrigações diminuam sua vida.

Susan Sontag, escritora, crítica de arte e ativista norte-americana.

Publicidade

Fotos 1, 2, 3, 4 e 8: Getty Images

Foto 5: Wikimedia Commons

Foto 6: Lailson Santos/VEJA

Foto 7: Divulgação

 

 


Canais Especiais Hypeness