Debate

Felipe Neto anuncia frente de advogados para defender críticos contra processos de Bolsonaro

Yuri Ferreira - 18/03/2021

O youtuber Felipe Neto criou uma rede de advogados para proteger pessoas da censura no Brasil. Junto de diversos escritórios de advocacia, o influenciador digital quer prover proteção jurídica gratuita para pessoas que tenham sido atacadas pelo governo Jair Bolsonaro, como ele próprio. O nome do projeto é ‘Cala Boca Já Morreu’.

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Felipe Neto foi intimado após criticar governo

Youtuber foi vítima de censura; após chamar o presidente de genocida, foi intimado a depor a pedido do filho de Jair Bolsonaro

Relembre: Neto recebeu uma queixa-crime e foi intimado à depor para a Polícia Civil do Rio de Janeiro após Carlos Bolsonaro, filho do Presidente da República, fazer uma denúncia que o youtuber estaria cometendo um crime contra a Lei de Segurança Nacional (LSN) ao chamar o chefe do executivo federal de ‘genocida’ por sua gestão na pandemia.

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Neto não compareceu ao depoimento porque a Juíza Gisele Guida de Faria, da 38ª Vara Criminal, anulou o pedido. Segundo a magistrada, Carlos Bolsonaro cometeu ilegalidade ao acionar LSN por não fazer parte do Ministério Público, do Exército ou do Ministério da Justiça. Além disso, Faria ainda atentou que a apuração desse tipo de crime é de responsabilidade da Polícia Federal.

O Youtuber celebrou a decisão no Twitter:

Rede de proteção para defender a democracia

Felipe Neto também anunciou a criação de uma rede de advogados – a ‘Cala Boca Já Morreu’ – que tem como fim defender cidadãos comuns que estão sendo alvos de processos judiciais por criticar o governo. A rede conta com os escritórios de André Perecmanis, Augusto de Arruda Botelho, Beto Vasconcelos e Davi Tangerino, especialistas no tema, segundo apuração da jornalista Mônica Bergamo.

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Augusto de Arruda Botelho vai trabalhar gratuitamente para proteger vítimas de censura no governo Bolsonaro

“O Cala-Boca Já Morreu será um grupo da sociedade civil que vai lutar contra o autoritarismo e que será movido pelo princípio de que quando um cidadão é calado no exercício do seu legítimo direito de expressão, a voz da democracia se enfraquece. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que nos calem e não vamos”, afirma Felipe Neto à coluna da Mônica Bergamo.

O Hypeness listou recentemente diversos casos de censura no governo Jair Bolsonaro. As estratégias diversas de intimidação contra influenciadores, jornalistas, artistas e emissoras de televisão mostram o compromisso do executivo em tentar combater seus críticos, que se acentuaram gradativamente após a pandemia.

Frequentemente chamado genocida, Jair Bolsonaro propagou diversas informações falsas e prorrogou a compra de vacinas contra o novo coronavírus. O resultado está aí: com mais de 2 mil mortes por dia e mais de  280 mil vítimas da covid nos desde o início da pandemia no país, a gestão do atual presidente tem sido duramente criticada por diversos setores da sociedade. O contra-ataque? Censura.

“A liberdade de expressão no Brasil está sob ataque de violentos inimigos da democracia. Querem intimidar e silenciar a todos aqueles que criticam autoridades públicas, eleitas pelo povo, e que exercem o poder que têm em nome desse mesmo povo. E para isso, se armam da Lei de Segurança Nacional, herança do passado mais terrível e assombroso do país: a ditadura militar”, destaca Augusto de Arruda Botelho, à Folha.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.