Arte

Fernanda Montenegro: 5 trabalhos para entender a importância da obra da atriz

por: Redação Hypeness

Fernanda Montenegro é o grande nome quando se fala em performance no Brasil. Com passagens pelo cinema (e pelo ‘Oscar’), teatro, televisão e literatura, a atriz de 91 anos reina solo quando o tema é dramaturgia. Considerada uma das melhores atrizes nacionais, ela é referenciada como a grande dama do cinema e da dramaturgia brasileira.

Ela começou sua carreira aos 15 anos, como redatora, locutora e radioatriz da Rádio MEC. Sua estreia profissional aconteceu em dezembro de 1950, na peça ‘3.200 Metros de Altitude‘, ao lado de Fernando Torres, com quem se casou.

Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro, a matriarca do cinema nacional

Depois de participar de uma série de 80 peças exibidas em retrospectiva da Tv Tupi, Fernanda se mudou para São Paulo com Fernando Torres. Na capital, eles fundaram sua própria companhia, o Teatro dos Sete.

Nesta empreitada embarcaram Sergio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. A estreia do grupo aconteceu em dezembro de 1959, com a peça ‘O Mambembe‘, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Passou por diversas emissoras de televisão, atuando em uma dezena de programas e novelas até chegar ao cinema, entreando com ‘A Falecida‘, que lhe deu o prêmio de Melhor Atriz na ‘I Semana do Cinema Brasileiro’ (‘Festival de Brasília’).

Eu vi que não era só dizer a frase com sujeito, verbo e predicado. Aquilo tinha uma imantação e cada período daqueles estava inserido numa cena, que tinha um batimento, que se unia a outra cena… E assim tinha um resultado não só artístico, mas social, político, existencial. Isso tudo dentro de uma visão estética do espetáculo que correspondesse a uma unidade cênica

Conheça 5 trabalhos para entender a importância da obra da atriz:

‘Central do Brasil’

A obra cinematográfica de Walter Salles foi lançada em 1998 e se tornou um marco do cinema brasileiro. A produção segue o estilo road movie, ou “filme de estrada”, onde a protagonista é Dora (Fernanda Montenegro), uma professora aposentada.


Na trama, ela ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas na Central do Brasil, mas nunca as postava para que chegassem a seu destino. Sua vida muda totalmente ao conhecer o menino Josué (Vinícius de Oliveira).

O longa contribuiu para uma retomada de produções relevantes no país, recebendo diversas premiações em Festivais no mundo todo. A indicação Oscar de melhor filme estrangeiro e de Fernanda como melhor atriz – a primeira latino-americana a ocupar o posto – entraram para a história.

Por Central do Brasil, Fernanda recebeu o ‘Urso de Prata’ do ‘Festival de Berlim’, Globo de Ouro, National Board of Review Award, entre outros prêmios.

‘Guerra dos Sexos’

A novela foi marcante na carreira da atriz pelo papel protagonizado ao lado de Paulo Autran. Os primos Charlô e Otávio eram donos das cenas mais hilariantes e inesquecíveis e naquele momento fez um grande sucesso. A cena em que os dois jogam comida um no outro atravessou gerações e é um dos grandes clássicos da TV.

Fernanda Montenegro e Paulo Autran em Guerra dos Sexos

Fernanda Montenegro e Paulo Autran em Guerra dos Sexos

Pela novela, Fernanda ganhou o prêmio de Melhor Atriz da ‘Associação Paulista de Críticos de Arte’ (APCA) e o ‘Troféu Imprensa’.

‘Viver Sem Tempos Mortos’

Depois de 8 anos longe dos palcos, Fernanda volta arrebatadora. No monólogo, seu penúltimo trabalho no teatro, ela interpreta ninguém menos que Simone de Beauvoir. Dirigida por Felipe Hirsch, a encenação teve texto construído a partir das trocas de correspondências de Simone de Beauvoir com seu o marido, o filósofo Jean-Paul Sartre.

Sentada em uma cadeira, a atriz incorpora a alma da mulher que deu voz ao feminismo, mostrando
trechos de suas principais obras e cartas. Com maestria, trava um diálogo que faz o público esquecer que quem está a sua frente é uma artista.

Viver Sem Tempos Mortos

Viver Sem Tempos Mortos

‘Auto da Compadecida’

Aqui temos um marco não só para a carreira de Fernanda, mas para o cinema nacional. Neste longa baseado na obra de Ariano Suassuna, Fernanda interpreta Nossa Senhora Aparecida. Após a morte dos personagens, ela, a Compadecida, intervém junto a Jesus Cristo para que eles obtenham o perdão.

Foi um dos filmes responsáveis pela retomada do cinema nacional e garantiu uma série de prêmios que foram do Grande Prêmio da Crítica, em 1999, concedido pela ‘Associação Paulista dos Críticos de Arte’ (APCA) até o ‘Grande Prêmio Cinema Brasil’.

‘Prólogo, ato, epílogo’

Do alto de seus 90 anos, Fernanda ocupou o Teatro Municipal para o lançamento de sua autobiografia, em 2019. Muito mais do que um livro de memórias, a obra retrata uma geração que quase não existe mais, composta por Bibi Ferreira, Ruth de Souza e Antunes Filho.

Assim, mais do que literatura, o livro traz relatos poderosos que atravessam a história do teatro brasileiro. Escrito pelas mãos da jornalista Marta Góes, a partir de uma série de 18 entrevistas compiladas durante 14 meses, a história da infância, juventude, maturidade e até hoje estão contadas ali. Tudo resultado de 45 horas de conversas.

Tudo vai se harmonizando para a despedida inevitável. Inarredável. O que lamento é a vida durar apenas o tempo de um suspiro. Mas, acordo e canto.

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Destaque: Bob Wolfenson e Reprodução


Redação Hypeness
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