Arte

Frida Kahlo: bissexualidade e o casamento tumultuado com Diego Rivera

Gabriela Rassy - 23/03/2021

Se alguma mulher latino-americana já teve influência na história do feminismo, da homossexualidade, na história da América Latina, das artes e do pensamento, transcendendo limites e quebrando fronteiras entre diferentes países e culturas, foi Frida Kahlo (1907-1954).

Símbolo do feminismo e mito de uma arte latino-americana reinventada em suas pinturas, Frida constitui uma referência feminina que mostrou (e ainda mostra) um grande poder de atenção: uma fonte de inspiração para as gerações posteriores de mulheres.

1950: a artista mexicana Frida Kahlo (1907 - 1954), vestindo uma fantasia folclórica e flores no cabelo, apoia a cabeça na mão enquanto está deitada em uma rede. (Foto por Hulton Archive / Getty Images)

1950: a artista mexicana Frida Kahlo (1907 – 1954), vestindo uma fantasia folclórica e flores no cabelo. (Foto por Hulton Archive / Getty Images)

Com uma visão particular da arte, da história, mas também da vida, o impacto de Frida Kahlo como referência artística universal é uma fonte inesgotável de referências importantes no processo de reconstrução da história das mulheres, assim como da história do México.

Uma vida nada convencional

Frida Kahlo tinha uma liberdade incomum para uma mulher daquela época, e seu relacionamento próximo com a dor e as limitações físicas deu-lhe uma perspectiva muito pessoal e única sobre a experiência criativa da vida.

Com ideias políticas revolucionárias, ela sempre esteve ligada ao Partido Comunista do México e conviveu com artistas e pensadores de alta tensão internacional, como Pablo Picasso, Kandinsky, André Bretón, Marcel Duchamp.

Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade

Ela era amante de León Trotsky, e a lenda sugere que Chavela Vargas compartilhava com ela mais do que uma simples amizade, embora não há evidências concretas que o confirmem.

Frida Kahlo

Frida Kahlo tinha uma liberdade incomum para uma mulher daquela época

Andrógina e bissexual, Frida teve inúmeros amantes de ambos os sexos, que mostram uma bissexualidade que ela nunca se importou em negar.

Frida e Diego

Frida Kahlo e Diego Rivera

A relação de Frida e Diego, que duraria cerca de 20 anos, foi intensa e cheia de altos e baixos e foi marcada principalmente pelos constantes casos extraconjugais de ambos, fato que aumentou a curiosidade sobre o mito do casal.

Pictórico latino-americano

Aos seis anos, Frida adoeceu com poliomielite, fazendo com que sua perna direita permanecesse mais curta que a outra, o que resultou em bullying. No entanto, esse contratempo não a impediu de ser uma aluna curiosa e obstinada. Ela completou seus estudos secundários na Escuela Nacional Preparatoria.

Aos 18 anos, em 1925, Frida sofreu um trágico acidente, quando um bonde bateu no ônibus em que ela viajava. As consequências para sua pessoa foram graves: vários ossos foram fraturados e sua medula espinhal, danificada. Enquanto ficou imobilizada por vários meses, Frida começou a pintar.

Frida pintando na cama

Frida pintando na cama

Essa experiência tão dura marcaria sua arte e também sua visão particular da vida, vendo em seus autorretratos uma Frida fragmentada e quebrada que teria que reunir coragem sobre-humana para sobreviver à dor e aprender com aquele transe.

As obras referentes a esse período seriam produzidas no final da década de 1920, e talvez sejam a amostra mais impressionante de sua pintura.

Frida Kahlo ao lado da pintura "Me Twice", em 24 de outubro de 1939.

Frida Kahlo ao lado da pintura “Me Twice”, em 24 de outubro de 1939.

Eu sou minha única musa, o assunto que conheço melhor

Sua paixão pela arte, sua pintura revolucionária e sua personalidade avassaladora transcenderam internacionalmente e sobreviveram ao passar do tempo, usando-as para enriquecer uma lenda que permanece muito viva até hoje.

Expôs em Nova York, Paris e Londres, foi capa da Vogue. As suas viagens pela Europa e a sua permanência nos Estados Unidos, que ficarão gravadas nas suas pinturas e atestarão uma era artística muito viva e madura, são sinais do seu espírito cosmopolita e universal.

Frida

Frida viajou o mundo e era conectada com grandes artistas de sua época

Frida Kahlo morreu em 1954, após alguns anos marcados por uma profunda deterioração de sua saúde que a obrigou novamente a permanecer na cama.

Quer saber mais curiosidades da artista? Aí vamos!

1. Ela desafiou os estereótipos de gênero

Esta grande artista não hesitou em mostrar que era contra os estereótipos da sociedade. Por isso, para uma fotografia de família, ela decidiu vestir um terno, só para contrastar com a mãe e as irmãs que usavam vestidos.

Essa foi apenas uma das decisões que tomou para mostrar que ser mulher ou ser homem não se definia pelo vestido ou pelo formato das sobrancelhas.

Frida com sua irmã

Frida com sua irmã

2. Frida era bissexual e não hesitou em mostrar isso

Até hoje é difícil para algumas pessoas, presas a um modelo antigo e repressor de sociedade, aceitarem a homossexualidade. E a situação era muito pior na época de Frida Kahlo, mas não por isso ela hesitou em mostrar sua orientação sexual.

Frida Kahlo e Chavela Vargas

Frida Kahlo e Chavela Vargas

Frida teve casos com homens e mulheres enquanto vivia o tumultuado casamento com Diego Rivera. Ele, outro lado, e envolveu com a irmã mais nova da artista. Eles se divorciaram em 1939, mas se casaram novamente um ano depois. Esta segunda etapa do casamento foi também bastante perturbadora, mas ela permaneceu casada com Rivera até a morte.

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3. Decidiu fazer arte com mulheres ‘reais

A arte sempre procurou maximizar a beleza e os estereótipos da sociedade, mas Frida decidiu retratar mulheres reais: com seus pontos fortes e fracos, com seus aspectos negativos e positivos. Pintou ainda o aborto, o parto, a amamentação e outros aspectos femininos que eram (e ainda são) tabu.

4. Ficou famosa depois de sua morte

A artista teve um sucesso relativamente interessante durante o tempo em que esteve viva, mas, como muitas mulheres de seu tempo, era conhecida no México como a ‘esposa de Rivera‘. Hoje ela e sua obra são referência no mundo todo e Rivera é conhecido como seu marido.

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Fotos: Getty Images, Fundação Leo Motiz e Reprodução


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.


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