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Mulheres reclamam de menos direitos do que homens no trabalho; 44% nunca pediu aumento

Redação Hypeness - 09/03/2021 | Atualizada em - 11/03/2021

Um levantamento conduzido pelo LinkedIn mostra que 82% das mulheres brasileiras acreditam ter menos direitos do que os homens ao longo de suas carreiras profissionais. O número é alarmante e reflete a estrutura de opressão e o viés inconsciente que a imensa maioria das mulheres tem com relação às suas trajetórias profissionais. 

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Mulheres e o mercado de trabalho: apesar do crescente discurso sobre igualdade de gênero por parte das empresas, elas ainda se sentem desconfortáveis.

O contexto social, impregnado pelo machismo por todos os lados, leva muitas mulheres a não se reconhecerem capazes ou tão merecedoras quanto os homens. Isso interfere diretamente na autoconfiança delas na hora de lidar com questões de trabalho, como pedir um aumento, por exemplo. 

De acordo com os dados da pesquisa, que entrevistou mais de duas mil profissionais entre 25 e 55 anos em todo o Brasil, 47% das mulheres nunca pediram um aumento ou promoção aos seus chefes fora do contexto de avaliação anual, mesmo sentindo que eram merecedoras disso. 

Em média, as mulheres levam cerca de um ano e três meses para se sentirem seguras para fazer isso. 

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O estudo também mostra que 44% das mulheres não se sentem confortáveis em sequer conversar sobre seus salários. Na hora de aceitar um emprego, 37% delas afirmam que nunca sequer negociaram o salário que gostariam de receber. 

Outro detalhe apontado pela pesquisa é que 48% das mulheres vivem um momento em suas carreiras em que reduzem as expectativas que têm sobre o trabalho. Nesse fase, elas passam a reavaliar o progresso que acreditavam ser possível de fazer dentro da empresa. Isso costuma acontecer, em média, aos 29 anos. 

Entre os motivos para isso, 38% citam o fato de que a sociedade ainda não superou a desigualdade de gênero, 32% colocou o aumento da carga mental pela responsabilidade em gerenciar vida profissional e pessoal e 21% colocou uma pausa na carreira (ou licença maternidade) como causa.

De acordo com Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn, este cenário traz para discussão o viés inconsciente como um limitador no avanço das mulheres no mundo profissional. 

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Percebemos uma série de preconceitos incorporados no dia a dia, construídos em nosso contexto social, que reforçam uma ideia equivocada de que as mulheres não podem ser tão bem-sucedidas quanto os homens. Este pensamento afeta, inclusive, a maneira como essas profissionais tomam decisões em suas trajetórias. É preciso quebrar este paradigma e agir para mudarmos essa mentalidade”, afirma.  

Apesar de todo o contexto, o estudo mostra que 67% das mulheres entrevistadas se consideram ambiciosas. “Mais do que retorno financeiro, é interessante observar que a motivação dessas mulheres está na busca por reconhecimento e valorização no trabalho (80%) e o desejo de ser um exemplo e incentivo para outras pessoas (71%)”, conclui Ana Claudia.   

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Foto: Unsplash


Redação Hypeness
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