Inspiração

Elis e Hebe: cinebiografias que celebram a força e o brilho de duas mulheres brasileiras

Vitor Paiva - 19/03/2021

Toda mulher brasileira carrega consigo uma história de luta, superação e brilhouma história digna de se tornar um filme: por isso, quando uma cinebiografia conta a história de uma artista de destaque, é um pouco a história de todas as brasileiras que está sendo contada – e isso vale para Hebe Camargo e Elis Regina.

A maior apresentadora da história da televisão brasileira e a maior cantora da MPB em todos os tempos fizeram por merecer os filmes que celebram suas histórias e obras e, no mês da mulher, a história de Hebe e Elis é contada no Telecine como também um meio de comemorar as mulheres em geral.Vale lembrar que novos assinantes do streaming do Telecine ganham os 30 primeiros dias de acesso

A apresentadora Hebe Camargo

Hebe Camargo foi uma das mais influentes personalidades da TV brasileira

Grandes mulheres que mostram a força do protagonismo feminino no cinema

A história de Hebe se confunde com a história da TV no Brasil de forma direta e literal: Hebe fez parte da caravana de artistas que foi ao porto de Santos receber os primeiros equipamentos para transmissão nacional, e chegou a ser convidada por Assis Chateaubriand para cantar na inauguração oficial da TV no país, mas declinou. Em 1955, estreou ‘O Mundo é das Mulheres’, o primeiro programa feminino do país.

Hebe Camargo nos anos 1940

A jovem Hebe, ainda morena, começando sua carreira como cantora nos anos 1940 

Para ser coroada como a Rainha da Televisão Brasileira – uma espécie de Oprah Winfrey nacional, muitos anos antes da apresentadora estadunidense sequer ter nascido – Hebe entrevistou uma verdadeira seleção estelar de convidados em sua carreira.

Nomes imortais como a cantora francesa Edith Piaf, a cantora portuguesa Amália Rodrigues, o sul-africano Christian Barnard – primeiro cirurgião a realizar um transplante de coração – e o astronauta estadunidense Neil Armstrong, poucos meses depois dele se tornar o primeiro ser humano a andar na Lua visitaram o microfone e o talento de Hebe. 

Hebe em 1969 entrevistando o astronauta Neil Armstrong

Hebe em 1969 entrevistando o astronauta Neil Armstrong

É, portanto, a história dessa mulher extraordinária, que na década de 1980 passou a controlar a própria carreira em um universo completamente masculino, que o filme ‘Hebe: A Estrela do Brasil’ levou para as telas.

Dirigido por Maurício Farias e estrelado por Andréa Beltrão, o filme foca justamente nesse período de sua carreira, e traz também Marco Ricca e Danton Mello no elenco, mas tem na interpretação celebrada da atriz sua maior força – capaz de fazer jus a incrível história de uma artista, apresentadora, empresária e mulher fora de série.

A apresentadora Hebe Camargo

A apresentadora viria a falecer em 2021, aos 83 anos  

Da mesma forma, Elis Regina transitou tanto pela TV quanto pela música – mas enquanto Hebe foi uma cantora que se descobriu como uma das maiores comunicadoras do país, o caminho de Elis foi exatamente oposto: tendo se aventurado como apresentadora nos anos 1960 em programas musicais, era na hora de cantar que ela se tornava gigante – à altura das maiores cantoras do século XX

A cantora Elis Regina

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Elis saiu de Porto Alegre ainda adolescente para, com sua afinação irretocável, sua incrível potência e interpretação vocal e sua presença de palco absoluta, se tornar a maior cantora do país.

Foi a principal estrela saída da era dos festivais, nos anos 1960, e o nome à frente de alguns dos maiores espetáculos já apresentados em palcos brasileiros, como Falso Brilhante, de 1975, e Transversal do Tempo, de 1978.

A cantora Elis Regina

A cantora faleceu em 1982 com somente 36 anos

Com Elis, o filme dirigido por Hugo Prata contando a vida da cantora, a comemoração é dupla – não só por retratar a vida de uma grande mulher, como também pela data querida que é o dia 17 de março, quando a artista teria completado 76 anos

A cantora Elis Regina nos anos 1960

A jovem Elis nos anos 1960

Estrelado por Andrea Horta no papel da cantora, o filme foi lançado em 2016 para mostrar os tantos caminhos artísticos de Elis – entre o samba, a MPB, as grandes interpretações de festival, a Bossa Nova, e mais – mas também a turbulência na vida pessoal da cantora, em seus casamentos, seus enfrentamentos e lutas, sua relação conturbada com a ditadura militar, sua personalidade maior que a própria vida – como também era seu cantar.

Andréia Horta vivendo Elis Regina no filme Elis dirigido por Hugo Prata

Andréia Horta vivendo Elis no filme dirigido por Hugo Prata

Mulheres que fazem o cinema acontecer por trás das câmeras

Elis e Hebe foram as maiores em suas áreas, e enfrentam as agruras e injustiças de um mundo machista e desigual como, em diferentes medidas e contextos, todas as mulheres enfrentam. 

Andrea Beltrão como Hebe: A Estrela do Brasil

Andrea Beltrão como Hebe: A Estrela do Brasil

Por isso o Telecine destaca, entre tantas histórias femininas incríveis que conta em suas cinelist e na seleção de filmes disponíveis, essas duas trajetórias reluzentes – e completamente brasileiras – como presente para todas nesse Mês da Mulher. Hebe: Estrela do Brasil e Elis estão disponíveis na plataforma – e na memória de todo o país.Vale lembrar que novos assinantes do streaming do Telecine ganham os 30 primeiros dias de acesso

Hebe, Elis e a grande atriz Cacilda Becker

Hebe, Elis e a grande atriz Cacilda Becker

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© fotos: reprodução/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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