Inspiração

Ó do Borogodó, templo do samba em SP, precisa de sua ajuda para não fechar

Gabriela Rassy - 17/03/2021 | Atualizada em - 18/03/2021

“Como eu fui feliz no Ó do Borogodó…”. Essa é a frase que abre o pedido de ajuda do Ó do Borogogó, um dos grandes (ainda que pequenos) templos do samba paulistano. O bar fechou as portas desde o início da pandemia e agora precisa de ajuda para não ser despejado e encerrar definitivamente as atividades.

A felicidade que a casa proporcionou a todes que um dia sairam em busca de uma boa noite de samba é latente. Criou fama com base na música de qualidade, na cerveja gelada, nos bons petiscos e, sim, na alegria.

Ó do Borogodó

Em 2012, quando meu aniversário caiu em uma segunda-feira invernal, foi o Ó que me recebeu de braços abertos. Ali, com alguns dos meus melhores amigos, que dancei feliz de queixo para o alto a noite toda entoando clássicos que batem nesse coração paulistano.

ó do borogodó

Um aniversário com muito amor e samba no Ó

Só amor

Não era a primeira vez que eu pisava ali. Ainda nos tempos da faculdade, lá em 2009 – não faça as contas, se atenha às minhas características biológicas bastante joviais – me lembro de pegar fila para ver shows da mais pura qualidade. Hora um show de Dona Inah, ora da banda formada por ali que levou o nome da casa.

Vi com os anos o lugar ganhar mais e mais público, sendo referência para quem vinha de fora e procurava se embrenhar pelas Vila Madalena atrás dos nossos prazeres locais. A fama fazia sentido e o Ó devolvia em mais música.

A pandemia e a ordem de despejo

Fechado, o Ó do Borogodó se viu vazio e sem nenhum apoio do poder público para contornar esse momento tão difícil. É a história que se repete com cada cantinho que fez mais felizes nossas vidas na cidade.

De todos os lugares, partem serviços de delivery, tanto das bebidas quanto dos quitutes, para segurar essa barra que é gostar de dar alegria ao público. Todos se segurando por uma ponta de esperança que chegue vacina, que o governo decida por cuidar ao invés de armar a população, ou mesmo por um proprietário consciente que, à luz da triste realidade, poupasse nossos templos da faca do boleto.

O anúncio público da ação de despejo movida pelos proprietários do imóvel que abriga o mais querido butiquim da cidade de São Paulo atingiu a todos. Se os idealizadores do Ó já não sabiam o que fazer, o público também sentiu o baque.

A ameaça de fechamento definitivo de um marco da resistência da cultura popular bate forte junto com a marca de 365 dias de isolamento social.

“Vêm de longe as dificuldades para se manter um lugar de cultura nos tempos sombrios que vivemos, sem apoios oficiais ou privados de qualquer espécie, mas com a pandemia, ficou impossível: fechado, o Ó não teve mais como pagar o aluguel. As escassas receitas foram direcionadas a garantir a sobrevivência dos que dependiam diretamente do bar. É isso: felicidade não se compra, mas paga aluguel, salários, impostos”, diz o anúncio do pedido de financiamento coletivo, mais uma ponta de esperança.

Os gestores da casa foram oficialmente notificados da ação de despejo, para que desocupassem imediatamente o imóvel caso não haja pagamento dos atrasados, mais multas, juros e outros acréscimos.

Numa cidade onde reina a especulação imobiliária, ainda mais nos tão desejados metros quadrados de Vila Madalena, olho grande cresce. “Os tijolinhos, que muito embalaram sambas, choros, batuques e outras bossas, possivelmente darão espaço para alguma obra grandiosa e hostil, de muitos andares espelhados”.

Não deixe o samba morrer

Ainda que sem dinheiro e, no momento, sem receitas, o Ó descobriu que tem algo bastante valioso: amor e respeito. É nesse apoio que o lugar segue em uma campanha de financiamento coletivo à jato para pagar as dívidas e se manter de pé.

Ó do Borogodó em 2012, por Gabriela Rassy

Ó do Borogodó em 2012, por Gabriela Rassy

“A grana é alta? É, para a gente. Precisamos de 300 mil reais para barrar a ação de despejo, garantir o cumprimento do contrato, segurar o bar fechado e, consequentemente, a permanência do Ó nesse espaço tão amado. O tempo é curto? Muito – temos 10 dias para arrecadar”.

Até o fechamento dessa matéria, há 5 dias do encerramento das doações, o Ó tinha arrecadado quase R$ 175 mil, entre os 2 sites da campanha. Então estamos aqui para pedir mais. Que doe, compartilhe e não deixe o samba morrer.

Serão três vias de contribuição: pelo site abacashi, pelo Catarse ou pelo PIX direto com o email ficaodoborogodo@gmail.com.

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Fotos: Reprodução


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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