Debate

PM morto pelo Bope após ‘surto’ estava na corporação há 13 anos

Redação Hypeness - 30/03/2021

O policial militar Wesley Goés, responsável pelo surto’ com tons terroristas no Farol da Barra, em Salvador, no último domingo (28), não era conhecido por comportamento psicótico. O homem, que atirou 10 vezes contra policiais do Bope em uma manifestação solitária contra as medidas de restrição de circulação impostas pelo governador Rui Costa (PT), era visto como ‘calmo‘ e ‘amigável‘ pelos seus amigos na corporação em Itacaré, sul do estado.

Às 14h do domingo, Wesley Goés chegou ao Farol da Barra com seu carro particular. O policial militar estava munido de um fuzil e uma pistola. Ele atirou para cima e agrediu transeuntes e comerciantes. Wesley gritava palavras de ordem patrióticas. A PM chegou rapidamente ao local e tentou negociar com o ex-PM, que afirmava que ia lutar “contra a ditadura”.

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Policial com o rosto pintado de verde e amarelo fez manifestação contra “ditadura”, se referindo às medidas de restrição de circulação impostas pelos governadores

O BOPE (Batalhão de Operações Especiais) chegou ao local para continuar as negociações. Wesley atirou na direção dos companheiros de corporação por cerca de 10 vezes. A Polícia Militar baiana atirou contra o homem, que foi enviado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas faleceu.

Membro da Polícia Militar há 13 anos, ele sempre foi descrito como um homem ‘dedicado’, ‘tranquilo’ e ‘pontual’. Não haviam registros de incidentes envolvendo a saúde mental do militar. Com o rosto pintado de verde e a amarelo, ele repetia o discurso de políticos de extrema-direita durante seu surto. O termo foi utilizado pelo governo da Bahia para descrever o incidente.

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“Até então, ele nunca demonstrou estar sofrendo nada do ponto de vista psicológico, nem em conversas com a gente, nem de maneira formal levada a seus superiores. Ou seja, ele nunca demonstrou tendência para um possível surto”afirmou um oficial que trabalhava no mesmo batalhão de Wesley, em Itacaré.

A morte de Wesley foi rapidamente utilizada politicamente por parlamentares ligados ao presidente Jair Bolsonaro, como seu filho Eduardo (PSL) e a deputada Bia Kicis (PSL). Segundo os bolsonaristas, ele teria sido vítima do governador Rui Costa (PT) e seria uma espécie de mártir ‘anti-lockdown’. A hashtag #RuiCostaGenocida chegou as trending topics do Twitter no domingo. A narrativa não colou e foi rapidamente suprimida pelos extremistas.

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Governador lamenta 

Rui Costa, governador do estado, enviou uma mensagem de solidariedade à família de Wesley. “Quero lamentar profundamente o fato ocorrido neste domingo e ao mesmo tempo manifestar meus sentimentos à família do policial envolvido. Também quero estender minha solidariedade a todos os policiais que participaram da operação e colocaram suas vidas em risco. Continuaremos lutando dia após dia por mais vacina. Vacina para policiais militares e civis, para guardas municipais e para os trabalhadores da educação”, afirmou o político.

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O comandante da Polícia Militar da Bahia, coronel Paulo Coutinho, disse também lamentar a morte de Wesley, mas classificou a medida necessária porque, segundo ele, o PM colocou a vida de outras pessoas em risco.

“Eu gostaria de deixar bem claro que a gente lamenta profundamente esse episódio e nos solidarizamos mais uma vez com a família do policial militar e com a nossa tropa. O objetivo da ocorrência não era esse, nós tínhamos um prognóstico melhor. Infelizmente, têm variáveis que não ficam na mão da polícia quando ela intervém, e sim do provocador, quando ele faz o disparo tentando atingir policiais militares e qualquer dispersante”

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Fotos: Alberto Mauraux/SSP-BA


Redação Hypeness
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