Arte

A natureza e o meio ambiente como inspiração para as loucas pinturas de Robert Connett

Vitor Paiva - 01/04/2021 | Atualizada em - 10/05/2021

A natureza e as infinitas variedades em seus tantos ecossistemas são a inspiração para as pinturas do artista estadunidense Robert Steven Connett. Pelo pincel de Connett, seres como plânctons, micróbios, esponjas, medusas e os mais exóticos insetos se tornam peças em explosivas e psicodélicas pinturas acrílicas, cada uma reunindo as mais incríveis formas de vida – em seus traços reais, mesmo que exagerados pela imaginação do artista que, nas palavras do próprio, busca sua inspiração na “flora e na fauna do mundo natural, especialmente em suas origens oceânicas”.

Quadro de Robert Steven Connet

Micróbios, esponjas e ecossistemas servem de inspiração para o trabalho de Robert Steven Connet

-Entre a ficção científica e as formas da natureza, os mundos florais inventados pela artista Yellena James

As origens do próprio Connett também são oceânicas, já que o artista é natural de San Francisco, na Califórnia, e cresceu fascinado pela natureza e suas formas de vida – especialmente diante da infinitude de seres vivendo nas águas do oceano. Quem primeiro vê seus quadros pode pensar que, pela riqueza de detalhes e a complexidade de seus padrões, se trata de obras feitas digitalmente, mas cada peça foi inteiramente pintada pelo artista – que chega a gastar 2 mil horas para concluir um único quadro.

Quadro de Robert Steven Connet

As questões ambientais também movem as criações do artista

-Homem cultiva jardim em garrafa, que segue verde e vivo sem receber água desde 1972

Autodidata e tendo crescido com a pintura como um hobby que se se tornou central em sua vida, Connett escolhe o que pintar a partir do fascínio que sempre teve pela tema da natureza, mas o impacto da ação humana sobre o meio ambiente passou a oferecer outro sentido para seu ato de pintar. “Meu trabalho se tornou um santuário formado em minha imaginação”, ele diz. “Os efeitos das mudanças climáticas são tão terríveis que eu me sinto compelido a me esconder em meu mundo, enquanto vejo o planeta perdendo mais de 100 espécies por dia – eu sinto um desespero sombrio”.

Quadro de Robert Steven Connet

Robert Connet cresceu diante do – e inspirado pelo – mar da Califórnia

Quadro de Robert Steven Connet

O artista autodidata faz da denúncia contra a ação humana a intensão de seu trabalho

-Tsunami no Alasca é efeito de mudança climática e pode ameaçar o Ártico e o planeta

Seu trabalho se assemelha com as tradicionais ilustrações em livros científicos, mas também com as mais loucas ilustrações que já estamparam, no passado, os livros especializados principalmente na fauna marinha. O artista vê hoje seu trabalho como um tributo à vida como ela era antes das grandes extinções modernas começarem, e torce pra que, para além da apreciação estética, seus quadros ganhem um propósito ainda maior.

Quadro de Robert Steven Connet

As tradicionais ilustrações antigas de livros científicas também são influência

Quadro de Robert Steven Connet

Fauna e flora, da terra e do mar, se tornam em formas psicodélicas pelos quadros de Connet

-As incríveis (e loucas) ilustrações do mais antigo livro impresso sobre a vida marinha que se tem notícia

“Eu espero que meu trabalho encoraje e ilumine aqueles que sentem como eu sobre a crise climática. Todos temos que fazer tudo que pudermos para reduzir as causas dessa crise, e esse é o nosso maior desafio desde a ascendência da humanidade”.

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© artes: Robert Connett/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.