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Astrologia além do cosmos: relação com ciência, política, história e a vida de cada um de nós

Gabryella Garcia - 29/04/2021 | Atualizada em - 03/05/2021

Muitas pessoas têm uma visão preconceituosa, simplista e equivocada, e limitam a astrologia apenas ao “horóscopo de jornal”, classificando-a como pseudociência ou charlatanismo. Mas a história mostra que, ao longo dos séculos, a astrologia foi uma ferramenta muito importante que, ainda hoje, se apresenta como uma excelente tecnologia para entender o mundo e nós mesmos.

No oitavo episódio do “Prosa”, para nos levar a um mergulho no céu, e também desmistificar alguns preconceitos, convidamos João Acuio, fundador da escola de astrologia Saturnália, Thamires Sarti, historiadora, astróloga e criadora do podcast Astrologuês Fluente e Julia Hormann, astróloga e criadora da Júpiter Hortelã, para prosear.

Ouça o oitavo episódio do “Prosa” abaixo: 

Tendo surgido muito antes de Cristo, e consequentemente do nosso calendário, a astrologia é capaz de despertar os mais diferentes sentimentos nas pessoas. Durante o Iluminismo, por exemplo, foi colocada em segundo plano, deixando de ser validada como uma área relevante do conhecimento, e para a ciência de modo geral.

Durante muitos anos a astrologia esteve ligada às principais áreas da ciência, até mesmo com a medicina

Porém, uma nova geração de astrólogos está dando uma “nova roupagem” à astrologia e mostrando que ela vai muito além dos horóscopos diários, evidenciando que ela pode sim ser uma fonte de conhecimento válida e legítima. Thamires Sarti aponta que apesar de a astrologia sempre ter sua importância e influências em diversas ciências, sofreu um apagamento histórico, até mesmo de renomados astrólogos.

“Existe uma manutenção das figuras, mas sem a imagem de que eles eram astrólogos, como Fernando Pessoa e o matemático Johannes Kepler, por exemplo, que eram astrólogos. É uma perspectiva histórica esse apagamento. A medicina também era essencialmente astrológica na Idade Média, todo mundo que ia exercer a medicina precisava aprofundar em astrologia, era um método muito eficaz”, explica. 

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Julia Hormann também afirmou durante a prosa que vê uma distorção sobre o conceito de astrologia. “Vejo bastante preconceito com a astrologia e acho que vem de uma desvalorização de um conhecimento ancestral e antigo. Em uma época mais racionalista, talvez no Iluminismo, tivemos uma tentativa de tirar a credibilidade da astrologia. Temos uma distorção de como a astrologia de fato funciona e há uma superficialidade em algumas análises”, lamentou.

Os astrólogos também afirmaram durante o bate papo que a astrologia tem diferentes abordagens, e pode ser encarada como um oráculo, mas também como uma linguagem, uma forma de versar sobre tudo o que há no mundo. João Acuio a define como: “tudo que a boca come”.

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“Ela é uma uma arte, uma linguagem de leitura da manifestação celeste e da manifestação do mundo. Tudo o que se manifesta está sob um céu e se transforma nessa linguagem que pode versar sobre isso. Por isso, a astrologia é tudo o que a boca come”, reflete.

Astrologia além do cosmos

Embora seja uma informação pouco difundido, devido a um apagamento histórico, Fernando Pessoa foi um grande astrólogo

Para comprovar a amplitude, e também a complexidade da astrologia, além dos horóscopos e mapas astrais pessoais, nossa prosa chegou até a pandemia pela qual estamos passando, que, descobrimos, também dialoga com os astros.

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O episódio também abordou questões como o surgimento do horóscopo diário e semanal, a popularização da astrologia, as relações da astrologia com a política, semelhanças e diferenças com a astronomia, a relação com outras ciências e muito mais!

Ficou curioso para saber o que mais rolou nessa prosa? Então aperta o play, sinta-se em casa e vem com a gente! Ah, também guardamos dicas culturais incríveis para você nesse episódio enquanto aprecia um café com um pão quentinho!

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Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.