Ciência

Caminhar junto de alguém pode prejudicar desempenho, mas não anula importância de exercício

Vitor Paiva - 20/04/2021

Convidar alguém para caminhar junto e dividir o exercício físico com uma companhia pode não ser a melhor das ideias – ao menos para quem costuma caminhar em ritmo mais rápido. É isso que confirma um estudo realizado recentemente pela Purdue University, nos EUA, focado especialmente em casais: a parceria nos exercícios na maior parte dos casos reduz o ritmo das passadas, e mais ainda se a caminhada for feita de mãos dadas.

casal caminhando juntos

A metade mais rápida do casal tende a ralentar o passo nas caminhadas a dois, afirma o estudo

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Intitulado “Changes to gait speed when romantic partners walk together: Effect of age and obstructed pathway” (Em tradução livre, “Mudanças para velocidade de marcha quando parceiros românticos caminham juntos: efeito da idade e caminho obstruído”), o estudo se debruçou sobre os tempos de caminhada de 141 indivíduos em 72 casais, em idades entre 25 e 79 anos. A pesquisa trabalhou com cenários diversos, e além da companhia ou das mãos dadas, analisou também diferenças de caminhadas em vias livres ou caminhos com obstruções.

casal caminhando de mãos dadas

Dar as mãos na hora de caminhar em dupla reduz ainda mais o ritmo do exercício

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A conclusão de que casais tendem a caminhar mais devagar do que quando se exercitando cada um sozinho pode afetar os tantos benefícios que o exercício traz para nossa saúde e até mesmo para nossa felicidade – especialmente entre os casais mais velhos, que tendem a diminuir ainda mais a marcha quando se exercitam em dupla, segundo a pesquisa. As caminhadas melhoram a circulação, as atividades e capacidades pulmonares, reduzem quadros de depressão e ansiedade, a saúde cerebral, ajudam a emagrecer e no combate à osteoporose, problemas cardíacos e diabete.

casal se alongando

O incentivo que o exercício em parceria pode trazer também é importante – e comprovado

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Além disso, estudos comprovam que caminhar traz benefícios diretos para a felicidade e até mesmo a inteligência de quem pratica. Apesar das caminhadas lentas reduzirem tais benefícios, o estímulo e o incentivo que a parceria pode trazer na hora de se exercitar não devem ser desprezados, já que mesmo o exercício mais lento é melhor do que o sedentarismo. Conforme mostrou o site Eu Atleta, em análise sobre o estudo, esse estímulo possui nome e comprovação científica: o “suporte social” ajuda na mudança de comportamento em muitas situações adversas, e que pode ser determinante para o início ou a manutenção dos exercícios.

casal caminhando e sorrindo

Caminhar traz benefícios para a saúde, a inteligência e até mesmo as noções de felicidade

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.