Ciência

Cientistas descobrem genoma mais antigo de humanos modernos em análise de crânio

Vitor Paiva - 13/04/2021 | Atualizada em - 15/04/2021

A partir de um crânio de 45 mil anos descoberto na República Tcheca nos anos 1950, cientistas conseguiram sequenciar o mais antigo genoma de um ser humano moderno já encontrado fora da África. O crânio que foi originalmente encontrado na região da colina de Zlaty Kun e pertence ao acervo do Museu Nacional em Praga foi matéria do estudo realizado por cientistas do Instituto Max Planck para Ciência da História Humana, da Alemanha, e da Universidade de e publicado no periódico científico Nature Ecology & Evolution.

O crânio de Zlaty Kun

O crânio feminino foi encontrado na República Tcheca nos anos 1950 © Marek Jantač

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Pesquisas e levantamentos arqueológicos apontam para a presença de seres humanos modernos no sudeste da Europa no período entre 47 e 43 mil anos atrás, mas nunca antes havia sido possível a extração de DNA a partir de materiais de qualidade suficiente para concluir tal hipótese. O período é exatamente a idade estimada do crânio, que pertenceu a uma mulher apelidada por pesquisadores de “cavalo dourado” por ser a tradução do nome da região onde foi encontrada.

O crânio de Zlaty Kun

A nova idade do crânio de Zlaty Kun o posiciona como o genoma mais antigo já traçado fora da Europa © Martin Frouz

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Estimativas anteriores sugeriam, a partir do formato, que o crânio tivesse 30 mil anos, mas o novo estudo, baseado na quantidade de DNA neandertal, chegou à nova data. Mais do que somente o mais antigo genoma já traçado fora da Europa, o novo resultado pode significar o mais antigo genoma já identificado. A pesquisa foi conduzida com o instituto por uma equipe de cientistas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e liderada por Cosimo Posth. “Os resultados de nossa análise de DNA mostram que o humano de Zlaty Kun está mais próximo do tempo em que ocorreu o cruzamento com neandertais”, afirmou um dos pesquisadores.

O crânio de Zlaty Kun

A nova idade do crânio o posiciona entre 43.000 e 47.000 anos atrás © Cosimo Posth

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O apontamento temporal sugere que a humana de Zlaty Kun teria vivido cerca de 2 mil anos após o cruzamento entre os seres humanos modernos e os neandertais. Curiosamente, ela não divide qualquer traço de DNA com as linhagens que existiam, por exemplo, 40 mil anos atrás na mesma região – o que sugere que sua linhagem pode ter desaparecido. “É intrigante que os mais antigos humanos na Europa não tenham triunfado no fim das contas”, comentou pesquisadora do instituto, em matéria para a revista Cosmos.

Medição pelo DNA neandertal

Os primeiros homo sapiens cruzaram com os neandertais na área do Oriente Médio, depois de terem deixado a África há 50 mil anos – e tal cruzamento faz com que todos os seres humanos modernos carreguem cerca de 2 a 3% de DNA neandertal, mas com o passar do tempo tais segmentos acabam por se tornarem mais curtos no genoma.

O crânio de Zlaty Kun

A quantidade de DNA neandertal foi a medida para a nova contagem © Martin Frouz

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É a partir dessa extensão que a nova “idade” do foi calculada – o crânio de Zlaty Kun possui muito mais DNA neandertal que a mostra mais antiga anteriormente determinada, de uma ossada encontrada na Sibéria, intitulada “Ust’-Ishim”, e datada em 2008 com 45 mil anos.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.