Ciência

Covid: o que se sabe sobre 1º transplante de pulmão de doadores vivos feito no Japão

Vitor Paiva - 14/04/2021 | Atualizada em - 15/04/2021

Uma mulher gravemente afetada pela Covid-19 recebeu o primeiro transplante de pulmão de um doador vivo a uma paciente recuperada da doença. O procedimento foi realizado no Hospital Universitário de Kyoto, no Japão, e conduzido por uma equipe formada por 30 médicos ao longo de 11 horas, para implantar os tecidos pulmonares recebidos dos órgãos do marido e do filho da paciente.

Equipe de médicos na cirurgia no Hospital Universitário de Kyoto

Equipe de médicos na cirurgia no Hospital Universitário © Kyoto University Hospital/Kyodo

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Ainda que transplantes de pulmão venham sendo utilizados na recuperação de pacientes gravemente afetados pela Covid-19, essa é a primeira vez que os tecidos são doados de pacientes vivos, revelando-se importante avanço como alternativa e qualidade para o procedimento. “Demonstramos que agora temos a opção de transplantes de pulmão (de doadores vivos)”, afirmou Hiroshi Date, cirurgião torácico responsável pela operação. A cirurgia aconteceu no dia 7 de abril, e o estado de saúde dos três é estável.

Raio-x do tórax da paciente: à esquerda, antes do transplante, à direita, depois. O tecido pulmonar transplantado aparece nas áreas escuras

Raio-x do tórax da paciente: à esquerda, antes do transplante, à direita, depois. O tecido pulmonar transplantado aparece nas áreas escuras © Kyoto University Hospital

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Segundo o médico, o êxito da cirurgia passa a oferecer esperança para os pacientes como um novo tratamento contra os efeitos da Covid-19. A universidade informou que a mulher que recebeu o transplante contraiu a doença no final do ano passado e, ainda que tenha se livrado do vírus, o impacto sobre seus pulmões foi extenso, e se agravou depois que ela contraiu uma pneumonia – obrigando a paciente a permanecer em uma máquina de suporte de vida, respirando através de um pulmão artificial, por três meses no hospital.

O cirurgião torácico Hiroshi Date

O cirurgião torácico Hiroshi Date, que liderou o procedimento © divulgação

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A tecnologia do pulmão artificial era a mesma que vem sendo utilizada no caso do comediante Paulo Gustavo, com oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO). O diagnóstico da paciente japonesa, porém, tornou-se irrevogável: sem um transplante a mulher não iria sobreviver. “Embora a paciente tenha dado resultado negativo para covid-19 em um teste de PCR, não havia esperança de recuperação do distúrbio pulmonar, e a única maneira de salvar a vida dela era transplantar o pulmão”, afirmou o hospital, em comunicado. A ideia é que a paciente deixe o hospital em dois meses.

Importância para outras doenças pulmonares

Cirurgias de transplante de tecido pulmonar para casos graves de Covid-19 já vêm sendo feitas com sucesso na Europa, na Ásia e nos EUA, mas nunca antes recebendo doação de um paciente vivo – os tecidos utilizados em tais casos vinham de pacientes com morte cerebral. O avanço realizado pela equipe do Hospital Universitário de Kyoto pode ser fundamental para o tratamento da Covid-19 mas também de outras graves males do pulmão.

Entrada do Hospital Universitário de Kyoto

Entrada do Hospital Universitário de Kyoto © Mainichi Japan

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“Espera-se que o primeiro transplante de pulmão de um doador vivo do mundo seja um tratamento promissor para pacientes com doenças pulmonares graves”, afirmou o comunicado.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.