Diversidade

Escolas de samba: 6 desfiles que lutaram contra o racismo religioso

Gabriela Rassy - 12/04/2021

Carnaval é festa, mas é também política. Isso vai desde os temas das escolas de samba, populares em São Paulo e Rio de Janeiro, até a ocupação das ruas em todo o país. É como se nós, os foliões, e as agremiações, déssemos os recados urgentes à sociedade nesses dias de festa.

A luta contra o racismo ou intolerância religiosa é bastante comum no período de Carnaval – já que infelizmente os ataques contra tudo que foge do padrão apostólico romano ainda existem. Escolas de samba adotaram alas e desfiles inteiros para falar sobre o tema. 

Separamos algumas apresentações que marcaram história na luta pela aceitação da fé. Vamos conhecer:

Grande Rio | Tata Londirá: O canto do caboclo no Quilombo de Caxias

Direto de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a Acadêmicos do Grande Rio levou o debate sobre a intolerância religiosa e as perseguições sofridas pelas pessoas que exercem sua fé para o Carnaval de 2020. Ali, a Marques de Sapucaí conheceu a história encenada do mais famoso pai de santo da cidade, Joãozinho da Gomeia.

Com o enredo “Tata Londirá: O canto do caboclo no quilombo de Caxias”, a escola entoou a importância de respeitar os terreiros tanto de candomblé quanto de umbanda do país.

Grande Rio | Tata Londirá: O canto do caboclo no Quilombo de Caxias

Grande Rio | Tata Londirá: O canto do caboclo no Quilombo de Caxias

Acadêmicos do Sossego | Não se meta com a minha fé. Eu acredito em quem quiser

A Acadêmicos do Sossego, também no Rio de Janeiro, levou para a avenida o seu manifesto contra a intolerância religiosa no Carnaval de 2019. O enredo “Não se meta com a minha fé. Eu acredito em quem quiser”, festejou a diversidade das religiões e a importância do respeito e acolhimento a todas as crenças.

A agremiação de Niterói falou ali sobre as religiões de matriz africanas, judaísmo e budismo. O carro “Mesquita Universal do Templo do Budalorixá” reuniu várias religiões mostrando a integração de todas elas por um bem maior. Ali, Buda aparecia na frente, enquanto as laterais traziam desenhos que representavam templos diversos.

Acadêmicos do Sossego | Não se meta com a minha fé. Eu acredito em quem quiser

Acadêmicos do Sossego | Não se meta com a minha fé. Eu acredito em quem quiser

Mangueira | A Verdade Vos Fará Livre

Depois de ser a grande campeã do Carnaval carioca de 2019 com o desfile “História Pra Ninar Gente Grande”, onde a escola revisitou e homenageou negros e indígenas como históricas de resistência do nosso país, o debate religioso ganhou espaço na avenida.

Em “A Verdade Vos Fará Livre”, o Carnaval da Mangueira de 2020 trará não a história do Jesus bíblico e seu martírio, mas sim uma indagação sobre como seria a volta do Cristo hoje, em um contexto de tanta intolerância, preconceito, violência e perseguição.

Com Evelyn Bastos, rainha da bateria, desfilando Jesus Cristo como uma mulher negra, além de Nelson Sargento como José e Alcione como Maria, a escola quis colocar um Jesus dos oprimidos dos tempos de hoje: negros, pobres, LGBTs, mulheres, enfim, os marginais. E afirmou que, segundo as histórias bíblicas, Jesus estaria do lado da defesa dessas pessoas no dia de hoje.

Mangueira | A Verdade Vos Fará Livre

Mangueira | A Verdade Vos Fará Livre

Viradouro | Alma Lavada

O 1º lugar na colocação de 2020 do Rio de Janeiro ficou com a Unidos do Viradouro, que teve enredo sobre o grupo das Ganhadeiras de Itaupã, quinta geração de mulheres que lavavam roupa na Lagoa do Abaeté e faziam outros serviços em Salvador em busca da compra de sua alforria. “Alma Lavada” abria o primeiro verso com uma saudação a Oxum – o momento emocionante teve o público entoando os versos logo nos primeiros minutos do desfile.

Repleta de elementos do Candomblé, a apresentação da Viradouro homenageou a orixá das águas doces em diversos carros alegóricos, fantasias e destaques. O carro da Comissão de Frente trouxe a atleta Anna Giulia nadando em um grande aquário.

Viradouro | Alma Lavada

Viradouro | Alma Lavada

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.