Ciência

Imagem de estrela morta captada pelo Hubble é tão mágica que parece ficção

Vitor Paiva - 13/04/2021 | Atualizada em - 19/04/2021

Uma foto inédita mostrando a Nebulosa do Véu divulgada pela NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) e capturada pelo telescópio Hubble impressionou pela beleza e a grandiosidade do registro. Revelando o “rastro” da morte de uma estrela gigantesca ocorrida há cerca de 10 mil anos, a foto mostra o véu localizado a 2.100 anos-luz da Terra, e acaba por oferecer também a dimensão e a beleza do próprio espaço: para se ter uma ideia da distância, cada ano-luz equivale a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.

A incrível nova e detalhada versão da foto da Nebulosa do Véu

A incrível nova e detalhada versão da foto da Nebulosa do Véu © NASA

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A foto da Nebulosa do Véu não é inédita, visto que uma primeira publicação da imagem foi divulgada pela agência espacial estadunidense em 2015, mas a nova foto foi publicada a partir de um processamento de dados adicional gerado pelo Hubble para alcançar uma visão mais detalhada e ampla das ondas de gás registradas. “Para criarmos esta imagem colorida, utilizamos cinco filtros diferentes em observações da Wide Field Camera 3”, explicou a NASA em comunicado sobre a nova imagem.

O telescópio Hubble

O telescópio Hubble © Getty Images

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O comunicado explica parcialmente o que são os detalhes que o novo processamento da imagem revela sobre a nebulosa, que é a parte visível do remanescente de supernova Laço do Cisne, formada há cerca de 10 mil anos na morte de uma estrela de dimensões gigantescas – de massa 20 vezes maior que a do sol. “Os novos métodos de pós-processamento aprimoraram ainda mais os detalhes das emissões de oxigênio duplamente ionizado (visto aqui em tons de azul), hidrogênio ionizado e nitrogênio ionizado (em variações de vermelho)”, diz o texto.

Parte da "Laço do Cisne" visto da Terra

Parte da “Laço do Cisne” vista da Terra © Getty Images

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Para oferecer a dimensão do evento de onde a nebulosa surgiu, a NASA teve de recorrer a tons literários em sua nota. Segundo o texto, a estrela “viveu rápido e morreu jovem” em um “cataclismo de liberação de energia” ao fim da vida da estrela. “Apesar dessa violência estelar, as ondas de choque e os destroços da supernova esculpiram o delicado rendilhado em gás ionizado da Nebulosa do Véu, criando uma cena de surpreendente beleza astronômica”.

Constelação “vizinha”

Engana-se quem pensa que os tantos trilhões de quilômetros que separam a Terra do Véu fotografado são considerados distantes por quem realmente estuda as dimensões do universo: segundo a NASA, a constelação do Cisne é, em proporções astronômicas, praticamente vizinha ao Sistema Solar. “A Nebulosa do Véu está a cerca de 2.100 anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus (o cisne), tornando-a relativamente uma vizinha próxima em termos astronômicos”, diz o texto, que ainda confirma que somente uma parte da nebulosa pode ser vista na imagem.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.