Ciência

Maioria das espécies que ainda serão descobertas estão em florestas como Amazônia; Brasil lidera ranking

Vitor Paiva - 22/04/2021 | Atualizada em - 26/04/2021

60% das espécies de vertebrados terrestres que serão descobertos no futuro próximo estão em florestas tropicais como a Amazônia e a Mata Atlântica, em números que somam milhares ou até mesmo milhões de seres vivos ainda desconhecidos. Tal mapeamentos foi realizado por cientistas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em parceria com pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, a partir de dados compilados e divididos em onze tipos de informações que pautam a probabilidade de novas descobertas.

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Intitulado “Shortfalls and opportunities in terrestrial vertebrate species discovery” (“Lacunas e oportunidades na descoberta de espécies vertebradas terrestres”, em tradução livre) o estudo foi publicado no período científico Nature Ecology & Evolution, e se baseou na compilação de dados de 32 mil espécies de vertebrados terrestres. Informações como tamanho do corpo, quantidade de cientistas dedicados ao estudo de cada espécie e ainda as condições climáticas favoráveis para a ocorrência das espécies serviram de ponto de partida para o cálculo da estimativa e antecipação de possíveis descobertas.

Um sapinho preto, espécie descoberta dentro de uma bromélia no Monte Roraima

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Segundo o estudo, o Brasil lidera esse ranking de potencial, com 10% das futuras descobertas a ocorrem por aqui, em um total que pode chegar a 20 mil novas espécies. Em segundo lugar está a Colômbia, seguida de Madascar e Indonésia, e entre essa quatro primeiras colocações estarão, segundo o estudo, 25% das novas espécies que serão descobertas nos próximos anos. Dessas, estima-se que 47,3% serão répteis, 32,8% anfíbios, 13% serão mamíferos e 6,9% serão aves.

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Segundo Mário Moura, professor e pesquisador da UFPB, descobrir e catalogar uma espécie é fundamental para evitar sua extinção e o desaparecimento de determinado conhecimento. “Sem a descrição formal, nós permanecemos ignorantes sobre os possíveis valores ecológicos, serviços ecossistêmicos, e/ou relevância econômica dessas espécies”, afirmou o pesquisador, em reportagem do site da universidade. “Espécies sem uma descrição formal não podem ser avaliadas e categorizadas com relação ao seu nível de ameaça. Para conservar, é preciso conhecer”, disse Moura.

Uma capivara junto de tartarugas Arrau à beira do rio Amazonas 

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 A intenção, segundo o professor, é dar continuidade ao estudo, com enfoque próximo em invertebrados e animais marinhos. Trata-se, afinal, de um campo científico realmente imenso a ser explorado: estimativas sugerem que os cerca de 1,8 milhões de seres vivos já descritos pela ciência representam menos de 20% das espécies que existem no planeta – em número que pode passar de 10 milhões de espécies ao todo. A pesquisa foi financiada pela National Geographic, NASA, National Science Foundation, e E. O. Wilson Biodiversity Foundation.

Uma revoada de pássaros na Amazônia

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.