Empreendedorismo

Mercado de trabalho feminino e pandemia: impactos e perspectivas

Redação Hypeness - 08/04/2021 | Atualizada em - 12/04/2021

A pandemia afetou negativamente a participação das mulheres no mercado de trabalho, não só no Brasil, mas na América Latina toda. De acordo com estudo apresentado pela CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – organismo das Nações Unidas, os efeitos da pandemia sobre o emprego e a renda das mulheres.

O relatório mostra que, em 2020, 118 milhões de mulheres estavam em situação de pobreza. Nada menos que 23 milhões a mais que em 2019. “Além do aumento do desemprego, as mulheres se viram com uma sobrecarga de trabalho doméstico três vezes maior que a de homens”, afirma Jandaraci Araújo, executiva do mercado financeiro na área de Sustentabilidade.

Mulher trabalhando de home office

“Mulheres se viram com uma sobrecarga de trabalho doméstico três vezes maior que a de homens”, afirma Jandaraci

Co-fundadora do Conselheira 101, programa de incentivo à presença de mulheres negras em conselhos de administração e Conselheira do CIEE, Jandaraci atuou como Subsecretária de Empreendedorismo, Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo e foi Diretora Executiva do Banco do Povo Paulista – primeira mulher deste a sua criação em 97 a ocupar o cargo.

Em breve, Jandara deve lançar o livro “Mulheres nas Finanças”, pela editora Leader, onde contará sua trajetória e experiências.

Mulhrees e o mercado de trabalho na pandemia

Segundo o relatório norte-americano, produzido pelo LeanIn.Org em parceria com a consultoria empresarial McKinsey, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2020, a representação de mulheres em cargos de vice-presidente sênior havia crescido de 23% para 28%, e a representação na diretoria havia passado de 17% para 21%. Notamos, que estamos crescendo, mas sabemos do longo trajeto que ainda temos que percorrer.

Sabemos que há muitas diferenças entre o mercado feminino e o mundo corporativo de lá para o brasileiro, mas nossa realidade não está longe, não só pelas demissões, mas também pelas duplas até triplas jornadas que temos que enfrentar diariamente por conta da pandemia, onde escolas e creches estão fechadas e o home-office está presente, além claro, de cuidar dos afazeres domésticos.

Já a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela que 8,5 milhões de mulheres ficaram fora do mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) acompanha a análise mostrando que 897,2 mil trabalhadores perderam o emprego, de março a setembro de 2020, por conta da pandemia e do isolamento social. Desses 588,5 mil são mulheres, ou seja, 65% dos demitidos.

“Sabemos que as mulheres foram extremamente impactadas pela crise da pandemia que se alastrou no mundo todo, mas especialmente as mulheres negras, que foram demitidas ou dispensadas por esse motivo”, comenta Jandaraci.

Mulheres unidas mercado de trabalho

Mulheres são as mais afetadas pela crise

Sobre a proporção de mulheres que perderam seus empregos, dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Avançada) mostram que as categorias em que há mais mulheres trabalhando foram as mais afetadas.

Em alojamento e alimentação, categoria em que 58,3% dos profissionais são mulheres, a queda foi de 51%. Nos serviços domésticos, em que 85, 7% dos profissionais ocupados são mulheres, a diminuição de vagas bateu 46,2%. Em educação, saúde e serviços sociais, foram perdidas 33,4%. E, 76,4% dos profissionais da área são mulheres.

Como afirma Jandaraci, a crise é um momento onde temos de construir oportunidades. “Se as empresas fizerem investimentos significativos na construção de um local de trabalho mais flexível e empático, elas poderão reter essas profissionais mais afetadas pela crise, criando um ambiente mais igualitário e justo”.

Precisamos nos cuidar e nos vacinar o mais rápido possível, para que esse efeito seja minimizado e para evitarmos que a desigualdade se aprofunde ainda mais no futuro, e que todas as mulheres possam viver dignamente, seja no mercado de trabalho ou empreendendo.

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Fotos: Getty Images


Redação Hypeness
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