Ciência

NASA está mais perto de fazer contato alienígena mas cientista tem receio: ‘É uma péssima ideia’

Vitor Paiva - 28/04/2021 | Atualizada em - 27/05/2021

O lançamento do James Webb Space Telescope, novo telesócopio espacial da NASA, está agendado para o final desse ano, e planejado para funcionar a todo vapor a partir de maio do ano que vem. Esse novo e poderoso telescópio de última geração que vem para substituir o Hubble promete avanços e novidades nunca antes alcançados: segundo especialistas, ele é a melhor chance já realizada pela humanidade de, por exemplo, encontrar vida em outro planeta – mas nem toda comunidade científica vê tal hipótese com bons olhos.

O telescópio James Webb Space Telescope

O espelho principal do telescópio durante seu preparo © divulgação

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Por ser um telescópio 100 vezes mais poderoso que o Hubble, utilizando tecnologia infravermelha de scan, e projetado também para procurar por mundos habitáveis pelo universo, o JWST poderá fazer a humanidade “exergar” mais além do que jamais alcançou – podendo descobrir as origens do universo e até mesmo alienígenas, inteligentes ou não, em outros cantos do cosmos. Além disso, enquanto o Hubble se localiza a somente 325 km da Terra, o novo telescópio espacial irá orbitar o sol a 1,5 milhão de quilômetros de distância – tudo para justamente ir além no universo.

Réplica do telescópio James Webb Space Telescope

Uma réplica em tamanho real do telescópio, preparada em 2005 © Wikimedia Commons

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Em entrevista para o jornal britânico The Guardian, o professor de física e proponente da Teoria das Cordas, Michio Kaku, crê que buscar por vida em outro planeta pode trazer grandes ameaças – à humanidade ou aos alienígenas. “Em breve teremos o telescópio Webb em órbita e teremos milhares de planetas para olhar, e é por isso que as chances de fazermos contato com alguma civilização alienígena são altas”, comentou. “Alguns colegas acreditam que deveríamos tentar contato, mas eu acho uma ideia terrível: todos sabemos o que aconteceu com Montezuma quando ele encontrou Cortés no México, centenas de ano atrás”, afirmou.

O professor Michio Kaku

O professor Michio Kaku © Getty Images

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A alusão proposta por Kaku é à derrocada do imperador Montezuma II, do Império Asteca, que teria perdido o trono por conta de um erro de interpretação: o imperados teria dito que iria “manter o trono quente” para o conquistador espanhol Cortés de um modo irônico – mas, segundo a lenda, a ironia teria sido compreendida como promessa, e levou à guerra e à queda do imperador. Na visão de Kaku, a humanidade seria o Império Asteca, que poderia enviar uma mensagem de paz mas não ser compreendida por formas de vida alienígena, e levar a um confronto inédito.

O telescópio James Webb Space Telescope

A previsão é de que o telescópio esteja em pleno funcionamento a partir de maio de 2022 © NASA

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A relação destrutiva da humanidade com o meio ambiente e os outros animais ameaçados com os quais dividimos o planeta faz com que professor também tema pela integridade de uma possível forma de vida alienígena, seja ela inteligente ou não. “Eu pessoalmente acho que os alienígenas serão amigáveis, mas não podemos apostar nisso. Acho, então, que se vamos tentar contato temos de fazê-lo com muito cuidado”, concluiu. Seja como for, a humanidade até hoje se engajou nas mais diversas formas de destruição – e a esperança é de que o conhecimento possivelmente trazido pelo JWST permita não só que vejamos o que nunca vimos, mas que também, quem sabe, ajamos como nunca antes agimos.

O telescópio James Webb Space Telescope

O telescópio James Webb Space Telescope em testes no final do ano passado © NASA

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.